Apesar da relação descrita por interlocutores como de “boa química” entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Palácio do Planalto passou a avaliar com preocupação crescente a possibilidade de interferência direta ou indireta da Casa Branca no processo eleitoral brasileiro de 2026.
O alerta ganhou força na última semana diante do agravamento das tensões geopolíticas na América Latina e do histórico recente de atuação de Trump em disputas eleitorais na região, sobretudo por meio de declarações públicas, pressões diplomáticas e condicionamento de ajuda financeira a resultados políticos.
A avaliação se intensificou após a operação militar liderada por Trump na Venezuela, no último sábado (3), que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, além das ameaças explícitas de ações militares contra Colômbia, México e Cuba. Para o Itamaraty e setores do governo, o episódio marca uma mudança qualitativa na forma de atuação dos Estados Unidos no hemisfério.
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Segundo integrantes do governo brasileiro, embora a eleição de 2022 já tenha sido impactada por forte contaminação do debate internacional, o cenário atual apresenta um diferencial relevante: a agenda externa tende a ganhar peso mais “institucionalizado” na campanha de 2026, algo considerado inédito na política brasileira desde a redemocratização.
A diplomacia brasileira traça paralelos claros entre o que ocorreu recentemente em países como Honduras e Argentina e o que pode vir a ocorrer no Brasil. Nas eleições legislativas argentinas e nas presidenciais hondurenhas de 2025, Trump declarou apoio explícito a candidaturas de direita e sinalizou que Washington poderia suspender ajuda financeira caso esses grupos fossem derrotados nas urnas.
No caso argentino, o republicano foi além: condicionou a liberação de um pacote de socorro de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 109 bilhões) à vitória de aliados do presidente Javier Milei no Congresso. Para diplomatas brasileiros, esse tipo de movimento cria um precedente perigoso, ao misturar política externa, financiamento internacional e disputas eleitorais domésticas.
Internamente, o Planalto avalia que a simples possibilidade de ingerência externa — ainda que indireta — altera o cálculo político, reforça a polarização e amplia a pressão sobre instituições eleitorais e democráticas. O diagnóstico é de que o Brasil precisará fortalecer canais diplomáticos, mecanismos de defesa institucional e comunicação estratégica para reduzir vulnerabilidades num cenário internacional mais agressivo e imprevisível.
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