Redação A Gazeta de Rondônia
Com aumento de notificações em 2026, Prefeitura intensifica ações contra o Aedes aegypti e convoca população a agir para evitar avanço de dengue, zika e chikungunya

Em meio ao período de chuvas e calor intenso na região Norte, a dengue volta a preocupar autoridades de saúde em Porto Velho. Embora os números ainda estejam sob controle, especialistas alertam: o cenário pode mudar rapidamente se medidas simples não forem adotadas no dia a dia da população.
De janeiro até 16 de março de 2026, a capital registrou 76 casos notificados de dengue, sendo 15 considerados prováveis, segundo dados da vigilância epidemiológica municipal. No mesmo período, foram contabilizados 36 casos notificados de zika vírus (sem confirmações) e 31 notificações de chikungunya, com 11 casos prováveis. Até o momento, não há registro de mortes relacionadas às doenças.
Apesar dos números relativamente baixos em comparação a anos críticos, o sinal de alerta já foi acionado.
Mapeamento identifica áreas de risco
Uma das principais ferramentas utilizadas pela Prefeitura é o Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti (LIRAa), que funciona como um “raio-x” da cidade. O método permite identificar bairros com maior presença de larvas do mosquito e direcionar as ações com mais precisão.

Segundo o gerente da Divisão de Controle de Vetores da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), Emerson Torres, o trabalho vai além da coleta de dados.

“O LIRAa nos mostra onde estão os focos mais críticos. A partir disso, entramos com o pós-LIRA, intensificando as ações justamente nessas áreas. É uma estratégia essencial para evitar que os casos aumentem”, explica.
De acordo com parâmetros do Ministério da Saúde, um índice de infestação acima de 4% já é considerado alto risco para surto. Em diversas capitais brasileiras, esse índice já ultrapassou o limite em anos anteriores — cenário que Porto Velho busca evitar.
Clima favorece proliferação do mosquito
O contexto climático da região é um fator determinante. O calor aliado às chuvas frequentes cria o ambiente ideal para a reprodução do mosquito.
A infectologista Dra. Mariana Lopes, ouvida pela reportagem, reforça que o ciclo do Aedes aegypti é rápido e silencioso:
“Em apenas 7 a 10 dias, o mosquito pode se desenvolver da fase de ovo até adulto. Qualquer pequena quantidade de água parada já é suficiente. Por isso, a prevenção precisa ser constante, não apenas quando os casos aumentam”.
Ela também alerta para os riscos da automedicação. “Muitas pessoas tratam a dengue como uma gripe comum, o que é perigoso. Em casos mais graves, pode haver complicações como hemorragias e choque”.
Visitas domiciliares fazem a diferença
Nas ruas, o trabalho dos agentes de combate às endemias segue sendo uma das principais linhas de defesa. Durante as visitas, eles inspecionam residências, identificam possíveis criadouros e orientam os moradores.
Na Zona Leste da capital, o morador Sidney Santana reconhece a importância desse contato direto:

“Às vezes a gente nem percebe que um objeto pode virar foco de mosquito. Com a orientação dos agentes, fica mais fácil cuidar da casa. É um esforço de todos”.
Responsabilidade compartilhada
Para o secretário municipal de Saúde, Jaime Gazola, o combate à dengue não depende apenas do poder público.

“Estamos atuando com equipes nas ruas, monitoramento e ações educativas. Mas a população tem um papel decisivo. A maioria dos focos do mosquito ainda está dentro das casas”, destaca.
Dados nacionais reforçam essa realidade: cerca de 75% dos criadouros do Aedes aegypti estão em ambientes residenciais, segundo estudos epidemiológicos recentes.
Cuidados simples que salvam vidas
A orientação das autoridades é clara: 10 minutos por semana podem fazer toda a diferença. Entre as principais medidas recomendadas estão:
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Manter caixas d’água bem fechadas
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Limpar calhas e ralos regularmente
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Evitar acúmulo de água em pneus e garrafas
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Colocar areia nos pratos de plantas
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Descartar corretamente o lixo
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Verificar objetos no quintal após chuvas
Sintomas exigem atenção imediata
Os principais sintomas da dengue incluem:
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Febre alta repentina
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Dor de cabeça e atrás dos olhos
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Dores no corpo e articulações
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Náuseas e cansaço extremo
Em casos mais graves, podem surgir sinais de alerta como sangramentos, tontura e dor abdominal intensa — situações que exigem atendimento médico imediato.
Prevenção ainda é o melhor remédio
Mesmo com avanços no monitoramento e nas ações de campo, especialistas são unânimes: a prevenção continua sendo a arma mais eficaz contra a dengue.

Em Porto Velho, o desafio é coletivo. Entre políticas públicas e atitudes individuais, o equilíbrio pode determinar se 2026 será um ano de controle ou de crise.
A mensagem é simples, mas urgente: o mosquito pode nascer em qualquer lugar, inclusive dentro de casa. E combatê-lo começa com cada um.




