Convenção nacional do partido ocorre neste domingo (26) em SP; político volta a uma eleição presidencial após 37 anos
O PSD formalizou neste domingo (26), durante convenção na capital paulista, a indicação do ex-governador goiano Ronaldo Caiado na corrida pela Presidência da República. A composição da chapa conta com Gilberto Kassab, presidente nacional da sigla, anunciado como vice.
Esta é a segunda tentativa de Caiado ao Palácio do Planalto. A primeira ocorreu em 1989, quando obteve 0,72% dos votos (10ª colocação). Com trajetória que inclui mandatos na Câmara dos Deputados, no Senado e no Executivo de Goiás, ele deixou o governo de Goiás em março focado no pleito nacional.
A chapa do PSD se consolidou no início de julho com a indicação interna de Kassab, configurando uma chapa “puro-sangue”, sem alianças formais com outras legendas até o momento.
Logo no início da convenção, Caiado elogiou Kassab. “Eu não seria candidato se não fosse a coragem de Gilberto Kassab, que enfrentou todos aqueles que achavam que podiam calar o Brasil e que não teria mais nenhum candidato fora da polarização”, declarou. Ele também agradeceu os governadores Daniel Vilela (Goiás), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Jr. (Paraná).
Ataque a adversários
O político firmou o compromisso de estruturar um “novo modelo de governo” e disparou ataques aos adversários. “Não é possível que o Brasil vá querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional. Eleição não é de rejeitados. É de quem traz resultado para a sociedade brasileira. É o que nós demonstramos”, disse. “Saímos do governo do Estado com 88% de aprovação, mostrando que, quando se tem capacidade para governar, a população reconhece. O que o Brasil precisa é de alguém que tenha coragem de comprar a briga pelo cidadão brasileiro”, acrescentou.
O candidato defendeu que não se envolveu em escândalos de corrupção. Ele citou, como exemplos, o caso do Mensalão no governo petista e o escândalo do Banco Master, que preocupa a campanha de Flávio. Segundo Caiado, o Brasil precisa de um líder que não seja “um Kinder ovo com surpresinhas todo dia” (em referência ao filho de Jair Bolsonaro).
O pré-candidato afirmou, ainda, que o governo Lula “vende” à população um “verdadeiro falso positivo” e não apresenta avanços em segurança, educação, programas sociais ou habitacionais.
Coletiva
Pouco antes do início da convenção partidária, Caiado (PSD) conversou com os jornalistas. Durante a coletiva de imprensa, acompanhada pela TMC, ele reconheceu que o pleito será “um grande desafio”, mas demonstrou otimismo em relação à sua ida ao segundo turno: “Nos vamos estar no segundo turno, quando estivermos no debate a população vai saber o diferencial e ver que somos melhores do que está briga entre os dois, que brigam por vaidade e para se manter no poder”, declarou.
O ex-governador goiano também afirmou que aguarda com expectativa o início da propaganda eleitoral e os debates na TV: “Eu diria que o tempo vai ser suficiente para a gente ser conhecido no Brasil todo, o conhecimento expande rapidamente e suficiente para a população formar sua própria opinião”.
Cenário eleitoral e disputa no segundo turno
As intenções de voto no nome de Caiado oscilam dependendo do cenário. Conforme levantamento do Datafolha divulgado na última sexta-feira (24/07), o ex-governador aparece com 4% das intenções no primeiro turno. Já em uma simulação de segundo turno contra o presidente Lula, seu percentual salta para 40%.
Ao ser questionado sobre um eventual apoio a Flávio Bolsonaro contra Lula em um segundo turno sem a sua presença, Caiado rebateu: “A pesquisa mostrou que eu sou o único que bate o Lula (no segundo turno). Não tem condições de ter alguém que não bate o Lula e no segundo turno”.
Na mesma ocasião, o político criticou o PT e fez acusações ligadas à segurança pública. “Comigo bandido não se cria, o PT não se cria, essa é a nossa marca. Precisamos tirar o Brasil das mãos do narcotráfico e do PT”, disse.


