A comoção nacional em torno do ataque a tiros no Instituto São José, em Rio Branco (AC), que resultou na morte das inspetoras Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 37, ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (07).
Enquanto a polícia investiga a motivação do adolescente de 13 anos, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa usou suas redes sociais para fazer uma análise sobre o comportamento do agressor, que gerou e pautou o debate nas redes sociais nas últimas 24 horas
“Ele matou duas mulheres. Depois caminhou até o quartel e se entregou. Ninguém está analisando isso”, escreveu a médica. “Como psiquiatra, esse detalhe muda tudo sobre o que aconteceu em Rio Branco”, reforçou.
Para Ana Beatriz, o comportamento do adolescente de 13 anos após os disparos, abandonar a arma, sair da escola e se entregar no quartel da Polícia Militar é incompatível com a ideia de um surto psicótico ou de uma perda emocional momentânea. “Isso tem outro nome”, afirma a psiquiatra, autora de best-sellers como Mentes Perigosas.
Segundo ela, o ataque deve ser interpretado como um “encerramento de performance”. “Não foi perda de controle. Não foi surto. Foi encerramento de performance. Ele não perdeu o controle. Executou um plano do começo ao fim”, observou.
A especialista destaca a quantidade de munição levada pelo adolescente como evidência de premeditação. “Ele chegou à escola com três carregadores”, afirma. “Você não sai de casa com três carregadores em um surto. Você não sai com três carregadores reagindo à dor. Você sai com três carregadores quando planeja matar o máximo possível”, destacou.
A médica reforça que cada etapa daquele dia teria sido consciente e deliberada. “Abrir o cofre. Escolher três carregadores. Entrar fardado. Atirar na cabeça de duas mulheres. Caminhar até o quartel e se entregar”, listou. “Três carregadores. Planejamento. Escolha”, ressaltou.
Um dos pontos mais polêmicos da análise da psiquiatra diz respeito ao momento em que o ataque cessou. Para ela, não houve um despertar moral ou arrependimento súbito. “Não foi consciência que parou o ataque. Foi incompetência técnica. Ele não conseguiu recarregar a arma. O único limite desse ataque foi não saber operar a pistola do padrasto”, pontuou.
A decisão de se entregar, na avaliação da médica, não indica remorso, mas sim a conclusão lógica de uma ação planejada. “Ele não fugiu. Não entrou em colapso. Não se escondeu”, descreve. “Ele foi até os policiais por conta própria. Mas ninguém está perguntando o que isso significa. Não é remorso. É o encerramento de performance”, escreveu.
A psiquiatra também rebate possíveis justificativas baseadas em sofrimento prévio ou bullying, hipótese que segue sob investigação. “Bullying explica a dor. Não explica a pistola. Não explica os três carregadores. Não explica os tiros na cabeça. E não explica o garoto que foi se entregar”, observou.
Ao final da análise, Ana Beatriz faz um alerta sobre a dificuldade de encarar a complexidade do caso. “Eu sei que é difícil olhar para um menino de 13 anos e dizer: ‘Ele sabia o que estava fazendo’, mas eu sou psiquiatra e tenho a obrigação de dizer a verdade, mesmo quando ela é desconfortável”, pontuou.
A médica resume sua posição com uma frase que conecta controle e responsabilidade: “Controle e maldade não são opostos. Às vezes, o maior sinal de maldade é exatamente o controle”, concluiu.
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