A Gazeta de Rondônia
No Dia Internacional do Cooperativismo, celebrado neste 4 de julho, o estado mostra como as cooperativas deixaram de ser apenas uma alternativa econômica para se tornarem protagonistas do desenvolvimento regional, gerando emprego, renda, crédito e oportunidades em praticamente todos os municípios rondonienses.

No interior de Rondônia, o cooperativismo não é apenas um modelo de negócios. É uma forma de sobrevivência, crescimento e desenvolvimento que une pequenos, médios e grandes produtores em torno de um objetivo comum: produzir mais, vender melhor e fazer a riqueza permanecer onde ela é gerada.
Neste 4 de julho, quando o mundo celebra o Dia Internacional do Cooperativismo (Coops Day), Rondônia tem motivos de sobra para comemorar. Em um estado cuja economia depende fortemente do agronegócio, da agricultura familiar, da pecuária, do café, do leite, da piscicultura e do crédito rural, as cooperativas se consolidaram como uma das maiores engrenagens do crescimento econômico.
Muito além da comercialização de produtos, elas levam assistência técnica, acesso ao crédito, inovação, tecnologia, qualificação profissional e segurança para milhares de famílias que vivem no campo e também nas cidades.
O resultado aparece nos números.
Hoje, o cooperativismo reúne milhares de cooperados em Rondônia e atua em diversos segmentos, como agropecuário, crédito, transporte, saúde, trabalho, infraestrutura e consumo. O movimento vem ampliando sua participação na economia estadual ano após ano, impulsionado principalmente pelo agronegócio, que responde pela maior parte das exportações rondonienses.
Uma economia construída por quem produz

Quem percorre regiões como Ji-Paraná, Cacoal, Rolim de Moura, Vilhena, Ariquemes, Jaru, Alta Floresta d’Oeste, Ouro Preto do Oeste ou Porto Velho encontra histórias parecidas.
São famílias que antes vendiam sua produção individualmente e tinham pouco poder de negociação. Ao ingressarem em uma cooperativa, passaram a comprar insumos mais baratos, negociar melhores preços, agregar valor aos produtos, industrializar parte da produção e acessar mercados nacionais e internacionais.
É o chamado círculo virtuoso do cooperativismo.
O dinheiro produzido permanece na própria região, movimentando supermercados, oficinas, lojas, postos de combustíveis, prestadores de serviços e toda a economia local.
Enquanto empresas tradicionais distribuem lucros para investidores, nas cooperativas os resultados retornam aos próprios cooperados por meio das chamadas sobras, reinvestimentos e melhoria dos serviços.
Crédito que fica na comunidade

Em muitos municípios do estado, as cooperativas financeiras ampliaram o acesso ao crédito para agricultores, pequenos empresários, comerciantes e profissionais liberais, muitas vezes em locais onde a presença dos bancos tradicionais sempre foi limitada.
Esse modelo fortalece a economia regional porque os recursos captados permanecem circulando na própria comunidade, financiando novos investimentos, gerando empregos e estimulando novos negócios.
O agro encontrou nas cooperativas um parceiro estratégico

Diversas cooperativas participaram diretamente da organização da cadeia produtiva, da assistência técnica aos produtores, da melhoria da qualidade dos grãos e da abertura de mercados.
O mesmo acontece com o leite, a piscicultura, a pecuária de corte, a produção de grãos e a agricultura familiar.
Ao reunir centenas ou milhares de produtores, as cooperativas conseguem reduzir custos, negociar volumes maiores e aumentar a competitividade dos produtos rondonienses.
Na prática, isso significa mais renda para quem produz.
Geração de emprego e desenvolvimento
As cooperativas também representam um importante motor da geração de empregos.
Além dos milhares de cooperados, elas mantêm equipes técnicas, profissionais administrativos, engenheiros agrônomos, veterinários, contadores, analistas financeiros, operadores industriais e diversos outros trabalhadores.
Esse impacto vai além dos empregos diretos.
Cada cooperativa movimenta cadeias inteiras de fornecedores, transportadoras, indústrias, comércio e serviços.
É desenvolvimento espalhado por praticamente todo o estado.
Muito além da economia
O cooperativismo também exerce um papel social.
Diversas cooperativas investem em programas de educação financeira, formação de jovens, incentivo ao empreendedorismo feminino, capacitação profissional, preservação ambiental e projetos comunitários.
Esse compromisso faz parte dos princípios cooperativistas, reconhecidos internacionalmente, que valorizam a gestão democrática, a participação dos associados, a educação, a intercooperação e o interesse pela comunidade.
Não por acaso, o movimento cooperativista é frequentemente apontado como um dos modelos econômicos mais alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas.
Rondônia acompanha uma tendência mundial
O Dia Internacional do Cooperativismo é celebrado sempre no primeiro sábado de julho e, em 2026, ocorre neste dia 4.
Neste ano, o movimento cooperativista mundial destaca o tema “Cooperativas por um Mundo Pacífico”, reforçando que a cooperação, a inclusão econômica e o desenvolvimento local ajudam a construir sociedades mais justas e resilientes.
Um modelo que continua crescendo
O Sistema OCB/RO destaca que o cooperativismo rondoniense segue ampliando sua representatividade e sua participação nas discussões sobre políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico, à segurança jurídica e à competitividade das cooperativas.
O crescimento do setor acompanha uma realidade percebida diariamente por quem vive no interior do estado.
Cada nova cooperativa significa mais organização da produção.
Mais acesso ao mercado.
Mais tecnologia.
Mais crédito.
Mais renda.
Mais qualidade de vida.
Num estado construído pela força do campo, das pequenas propriedades e do espírito empreendedor de seu povo, cooperar deixou de ser apenas uma escolha.
Virou uma das principais estratégias para garantir que o desenvolvimento econômico continue chegando às comunidades, fortalecendo famílias, impulsionando empresas e fazendo de Rondônia uma referência nacional em produção, sustentabilidade e crescimento compartilhado.
Neste 4 de julho, a data internacional vai muito além da celebração.

Ela lembra que, quando pessoas se unem em torno de um objetivo comum, o resultado não aparece apenas nos balanços financeiros.
Aparece nas cidades que crescem, nas propriedades que prosperam, nos jovens que encontram oportunidades para permanecer no campo e nas famílias que descobrem que dividir esforços pode ser o caminho mais sólido para construir um futuro melhor.
Texto: Paulo de Tarso


