Redação A Gazeta de Rondônia
Por: Paulo de Tarso
Estado lidera a renda no Norte e vê municípios do interior avançarem, enquanto serviços públicos e oportunidades seguem como desafio diário da população
Rondônia vive um momento de avanço econômico, mas ainda convive com velhas desigualdades. Os números oficiais mostram que a economia cresce, a renda melhora e o interior ganha força. No entanto, essa melhora nem sempre chega com a mesma intensidade à vida cotidiana do rondoniense, especialmente nas áreas mais distantes dos grandes centros.
Dados da Pnad Contínua, do IBGE, indicam que Rondônia alcançou recentemente o maior rendimento médio do trabalho da Região Norte, ultrapassando os R$ 3 mil mensais. O resultado confirma um ganho real de renda e mostra um estado mais ativo economicamente. Ainda assim, o cenário varia bastante entre a capital, cidades médias e distritos mais isolados.
Interior puxa o crescimento econômico
O crescimento recente de Rondônia tem endereço certo: o interior. Segundo o Produto Interno Bruto dos Municípios, divulgado pelo IBGE, cidades fora do eixo da capital vêm registrando taxas de expansão acima da média estadual.
Municípios como Ji-Paraná, Pimenteiras do Oeste, Alto Paraíso, Corumbiara, Rio Crespo e Cujubim despontam nesse movimento, impulsionados principalmente pelo agronegócio, pelo comércio regional e por atividades ligadas à logística.
Municípios que mais cresceram em Rondônia (% do PIB)

Fonte: IBGE – PIB dos Municípios / Pnad Contínua
Ji-Paraná, por exemplo, consolidou-se como polo regional de serviços e comércio, enquanto cidades menores ganharam fôlego com a valorização da produção rural e o escoamento pela BR-364. Porto Velho segue como o maior centro econômico, mas cresce em ritmo mais lento, pressionada por desafios urbanos, infraestrutura deficiente e aumento da demanda por serviços públicos.
Setores em alta e setores que ainda patinam
A economia rondoniense avança apoiada em pilares conhecidos. Dados do IBGE e da Secretaria de Planejamento de Rondônia mostram que agronegócio, comércio e indústria continuam sendo os principais motores do crescimento.
O aumento do consumo interno, a força do campo e a industrialização da cadeia produtiva ajudam a explicar o bom momento desses setores.
Crescimento por setor econômico em Rondônia (%)

Fonte: IBGE – PIB dos Municípios / Pnad Contínua
Por outro lado, áreas essenciais para o dia a dia da população avançam mais lentamente. Serviços públicos, saneamento, economia florestal e pesca aparecem com crescimento tímido. Essa estagnação ajuda a entender por que, apesar dos bons indicadores econômicos, o bem-estar ainda não acompanha os números do PIB.
Qualidade de vida avança, mas de forma desigual
No campo social, Rondônia ocupa posição intermediária no Índice de Progresso Social (IPS Brasil), embora lidere entre os estados do Norte. O levantamento aponta bons resultados em necessidades básicas, mas desempenho mais frágil em áreas como educação superior, oportunidades, meio ambiente e acesso a serviços públicos de qualidade.
O Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), reforça esse retrato: o estado cresce, gera renda e se destaca economicamente, mas ainda precisa avançar em eficiência administrativa, infraestrutura e políticas públicas para reduzir desigualdades regionais.
Os indicadores mostram que Rondônia está no caminho do crescimento. A renda aumenta, o interior se fortalece e a economia se diversifica. No entanto, o desafio agora é transformar esses avanços em qualidade de vida percebida no dia a dia, com serviços públicos mais eficientes, cidades melhor estruturadas e oportunidades mais distribuídas.
Crescer é importante. Mas, para o rondoniense, o que realmente importa é sentir esse crescimento chegar à porta de casa.


