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Rondônia tem beleza de sobra, mas ainda falta reconhecimento

Foto: Reprodução/Tripad

Redação A Gazeta de Rondônia

Por Paulo de Tarso

Ranking nacional ignora o estado entre os 50 destinos mais desejados de 2026 e expõe um problema que vai além da paisagem

Foto: Reprodução Brasil em Mapas

Rondônia não é feia. Não é pobre em natureza. Não é carente de identidade. Mas, mais uma vez, é invisível.

O novo levantamento do Índice de Visibilidade Turística (IVT), divulgado pela plataforma Brasil em Mapas, listou os 50 destinos mais desejados do Brasil para 2026. E nenhum município rondoniense aparece no ranking.

Não é apenas um dado estatístico. É um retrato.

Enquanto o Brasil vive um momento de expansão no turismo — com aumento de voos, fortalecimento do ecoturismo e valorização de experiências regionais — Rondônia observa de fora. Destinos como Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza seguem consolidados. Lugares como Lençóis Maranhenses, Fernando de Noronha e Jalapão surfam a onda do turismo de natureza.

E a Amazônia? Ganha força — especialmente com o protagonismo de Manaus. , Mas Rondônia continua fora da vitrine.

O problema não é paisagem
Foto: Roni Carvalho

Temos rios que impressionam, florestas que respiram vida, cachoeiras que ainda são segredo, cultura que mistura fronteira, migração e força produtiva. Porto Velho carrega história. Cacoal e Ariquemes têm potencial ecológico. O interior guarda experiências autênticas.

O que falta não é beleza. É estratégia.

Turismo não vive só de natureza. Vive de acesso, promoção contínua, calendário estruturado de eventos, marketing profissional e integração real entre setor público e iniciativa privada. Em um país onde destinos disputam atenção com campanhas agressivas e presença digital forte, quem não investe em posicionamento simplesmente desaparece.

Invisibilidade custa caro

Ficar fora de um ranking como esse não é vaidade ferida. É alerta econômico.

Turismo gera emprego, renda, movimenta hotéis, restaurantes, comércio local e cadeia produtiva. Quando um estado não entra no radar nacional, deixa de captar visitantes, deixa de atrair investidores e perde espaço em uma disputa que já está acontecendo. O Brasil cresce no turismo. Rondônia ainda busca espaço.

Não basta repetir que temos potencial. É preciso apresentar plano, metas, orçamento, promoção coordenada e política pública de longo prazo.

O setor turístico não se desenvolve sozinho. Precisa de prioridade institucional, articulação política e visão estratégica. Se Rondônia quer deixar de ser apenas território de passagem e assumir protagonismo como destino, a decisão passa por quem planeja, executa e investe.

Porque beleza nós temos, o que falta é decisão política para transformá-la em destino.

5 caminhos para Rondônia entrar no ranking dos destinos mais desejados em 2027

Se o levantamento do Índice de Visibilidade Turística (IVT), divulgado pela plataforma Brasil em Mapas, mostrou que Rondônia ainda está fora do mapa dos 50 destinos mais desejados do país, a pergunta agora é objetiva: o que fazer para mudar isso já no próximo ciclo?

Especialistas são unânimes, visibilidade turística não acontece por acaso. É planejamento, investimento e estratégia integrada. Eis cinco caminhos possíveis:

Marketing forte e contínuo

Destino que não aparece, não é lembrado.
Rondônia precisa investir em presença digital estratégica, campanhas segmentadas e construção de narrativa própria: turismo amazônico autêntico, natureza preservada e identidade cultural forte.

Mais conectividade aérea e acesso competitivo

Facilidade de acesso pesa no ranking.
Sem voos estratégicos e custos mais competitivos, o turista escolhe outro destino, mesmo que a experiência seja inferior.

Calendário anual de grandes eventos

Eventos consolidam imagem.
Festivais culturais, encontros ecológicos e experiências regionais organizadas podem transformar tradição em vitrine permanente.

Rotas integradas de ecoturismo

O viajante busca experiência completa.
Conectar municípios como Porto Velho e Cacoal em circuitos organizados, sinalizados e promovidos fortalece permanência e gasto médio do turista.

Turismo como política de Estado

O ponto decisivo.
Sem metas de longo prazo, orçamento definido e integração público privada, o setor continua sendo pauta eventual.

Destinos que entram no ranking tratam turismo como estratégia econômica permanente, não como promessa de campanha.

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