Mais previsões: Previsao do tempo 30 dias

Safra histórica no Brasil projeta Rondônia ao centro do novo mapa bilionário do agro

Reprodução/Istock

Redação A Gazeta de Rondônia

Por Paulo de Tarso

Com produção brasileira estimada em 354,8 milhões de toneladas, estado mantém força na soja, lidera produtividade do café no país e pode movimentar R$ 30 bilhões em 2025

O campo brasileiro deve bater mais um recorde. A projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que a safra 2025/2026 pode alcançar 354,8 milhões de toneladas de grãos, superando o ciclo anterior. A área plantada no país deve crescer 3,3%, chegando a 84,4 milhões de hectares.

Em Rondônia, o cenário é de estabilidade com força estratégica. A estimativa é de 5,4 milhões de toneladas de grãos, praticamente repetindo o volume da safra passada, mas com leve expansão da área cultivada, que deve ultrapassar 1,2 milhão de hectares — aumento de 1,3%.

Os números estão consolidados na 18ª edição do Informativo Agropecuário de Rondônia, elaborado com base em dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da própria Conab, da Emater-RO e da Embrapa Rondônia.

Soja segue soberana no campo rondoniense
Reprodução/CanalRural/Cedida

A soja permanece como carro-chefe da agricultura estadual. São 717,6 mil hectares plantados, com produção estimada em 2,6 milhões de toneladas. Nos últimos dez anos, a área cultivada cresceu, em média, 12,3% ao ano — avanço que transformou o perfil produtivo do estado.

Por outro lado, o arroz deve registrar retração de 7,2%, passando de 162,4 mil para 150,7 mil toneladas. A explicação está no mercado: menor demanda e preços menos atrativos ao produtor.

Segundo o analista da Embrapa Rondônia, Calixto Rosa Neto, há uma tendência de estabilização no ritmo de expansão. O avanço da fronteira agrícola em regiões centrais e do norte elevou o valor das terras, enquanto os custos de produção cresceram em ritmo mais acelerado do que os preços pagos ao produtor. Ainda assim, áreas de pastagens degradadas representam potencial estratégico para futuras conversões agrícolas.

Café rondoniense atinge a maior produtividade do Brasil

Se a soja garante escala, o café garante eficiência. Rondônia deve fechar 2025 com 2,3 milhões de sacas de 60 kg, aumento de 10,4% sobre 2024. A produtividade média estimada é de 55,5 sacas por hectare — a maior do país, praticamente o dobro da média nacional, de 29,7 sacas.

O resultado consolida o estado como referência nacional na produção de café robusta amazônico, com forte adoção de tecnologia e manejo intensivo.

Banana cresce, mandioca recua

Entre outras culturas:

  • Banana: área estável em 7,1 mil hectares, mas produtividade salta de 11,3 mil kg/ha para 14,4 mil kg/ha — crescimento de 25,8% na produção.

  • Mandioca: retração na área plantada (de 17,6 mil para 14,2 mil hectares), com produção estimada em 289 mil toneladas.

O movimento indica uma reorganização produtiva, com foco maior em culturas de maior retorno financeiro e eficiência por hectare.

Pecuária mantém protagonismo econômico

A força pecuária permanece como pilar da economia rural. Dados da Pesquisa Trimestral de Abates do IBGE mostram que, nos dois primeiros trimestres de 2025, foram abatidos 1,7 milhão de bovinos, totalizando 409 mil toneladas de carcaça — crescimento de 5,3% no número de animais e 1,2% no peso produzido frente ao mesmo período de 2024. Já a produção de leite somou 288,4 milhões de litros, leve recuo de 1% na comparação anual.

Agro pode movimentar R$ 30,1 bilhões em 2025

O Valor Bruto da Produção (VBP) Agropecuária de Rondônia, calculado pela equipe do Setor de Prospecção e Avaliação de Tecnologia da Embrapa Rondônia, está estimado em R$ 30,1 bilhões em 2025 — alta expressiva de 18,4% em relação ao ano anterior.

Bovinos, soja, café, milho e leite devem responder por quase 90% desse valor. Só a bovinocultura representa 47,1% do total.

No comércio exterior, as exportações de carne bovina in natura, soja e milho somaram quase US$ 2,5 bilhões nos dez primeiros meses de 2025.

“Rondônia não é mais fronteira agrícola — é protagonista definitivo do agro brasileiro.”

O que se desenha no horizonte de 2026 não é apenas a continuidade de uma boa safra. É a consolidação de uma mudança profunda. Rondônia, que há poucas décadas ainda estruturava sua base produtiva, hoje fala a linguagem da competitividade nacional e dialoga com o mercado global.

O barulho das máquinas no campo já não representa apenas colheita — representa transformação econômica, tecnológica e social. Se o estado conseguir atravessar os próximos anos equilibrando expansão, sustentabilidade e inteligência estratégica, este período poderá ser lembrado como o momento em que o Norte deixou de ser promessa e passou a ser protagonista definitivo do agro brasileiro.

Leia também