Valor bruto da produção cresce 51% em uma década, com soja, milho e carnes puxando receitas
O campo brasileiro alcançou em 2025 o maior volume financeiro já registrado. A safra movimentou R$ 1,42 trilhão, consolidando um ciclo de forte expansão da agropecuária e evidenciando transformações estruturais no perfil produtivo do país ao longo da última década.
Os dados foram divulgados na coluna Vaivém, da Folha de São Paulo, com base no Valor Bruto de Produção (VBP) do Ministério da Agricultura. Do total apurado, R$ 930 bilhões vieram das lavouras e R$ 489 bilhões da pecuária. Considerados os últimos cinco anos, o montante acumulado chega a R$ 6,4 trilhões.
Valor recorde redefine o peso do campo na economia
O VBP reúne informações de 17 atividades agrícolas e cinco da pecuária, calculando o valor financeiro a partir do volume produzido e dos preços praticados dentro da porteira. Os números não consideram custos de produção, mas estimam a receita obtida com as vendas, oferecendo um retrato consistente da evolução do setor.
A série histórica aponta uma mudança gradual na composição da produção. Produtos básicos perderam participação relativa, enquanto culturas voltadas à exportação ganharam espaço. Em termos reais, feijão, batata e banana registraram queda no valor de produção, enquanto soja e milho mantiveram trajetória contínua de crescimento. Arroz e trigo apresentaram avanço real de apenas 15% em dez anos.
Exportações impulsionam mudança no perfil produtivo
O país também ampliou a diversidade da produção agrícola. Culturas antes pouco expressivas, como gergelim, cevada, centeio e amendoim, passaram a ter maior relevância econômica. O amendoim, por exemplo, acumulou crescimento real de 176% na última década.
A elevação acelerada do volume financeiro no campo foi impulsionada por fatores externos, como eventos climáticos, conflitos internacionais, redução dos estoques globais e aumento da demanda externa. A alta dos preços internacionais encontrou um Brasil capaz de sustentar a produção e manter presença constante no abastecimento mundial.
Pecuária amplia participação no crescimento das receitas
A pecuária teve papel central nesse movimento. Há dez anos, a produção de carnes de frango, bovina e suína somava 26,4 milhões de toneladas. Em 2024, esse volume chegou a 32,5 milhões de toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No mesmo intervalo, a safra de grãos avançou de 200 milhões para 352 milhões de toneladas.
Em valores reais, o VBP da pecuária cresceu 56% em uma década, enquanto o das lavouras subiu 48%, refletindo o impacto direto da demanda internacional sobre o desempenho do setor.
Soja, milho e café lideram avanço do valor de produção
A soja segue como principal fonte de receita do campo brasileiro. Em 2025, o valor de produção alcançou R$ 329 bilhões, alta real de 58% em relação a dez anos atrás. A produção nacional chegou a 172 milhões de toneladas, crescimento de 79% no período.
O milho ocupa a segunda posição entre as lavouras, com R$ 166 bilhões, acumulando avanço real de 55%. Enquanto culturas tradicionais de grande escala, como cana-de-açúcar e laranja, mantiveram receitas estáveis, produtos de menor volume, como amendoim, uva, cacau e café, figuraram entre os mais valorizados.
O cacau registrou crescimento real de 238% no valor de produção em dez anos, enquanto o café avançou 158%. Na média dos últimos cinco anos, em comparação com os cinco anteriores, o ganho real foi de 102% para o cacau e de 75% para o café.
No setor cafeeiro, o destaque é o café conilon. O valor de produção dessa variedade cresceu 423% em uma década, acompanhando a expansão da área cultivada e o aumento da produção, que passou de 10 milhões para 21 milhões de sacas, segundo a Conab.
Entre as carnes, a bovina lidera em valor, com R$ 211 bilhões, mas a suinocultura foi a que mais cresceu, com avanço real de 142% no período. O setor de leite teve aumento de 48%, enquanto o de frango cresceu 34%. Ainda assim, o valor da produção de frango, ao atingir R$ 112 bilhões, superou o do leite em 53%, consolidando seu peso na cadeia agropecuária brasileira.
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