Redação A Gazeta de Rondônia
Bebê de três meses está internada e passa bem, enquanto autoridades reforçam vacinação e acendem sinal de atenção para evitar avanço da doença na capital.
Porto Velho volta a acender um alerta que muitos imaginavam distante. A confirmação do primeiro caso de coqueluche em 2026, envolvendo uma bebê de apenas três meses, reacende a preocupação com doenças que, apesar de conhecidas, ainda encontram espaço quando a prevenção falha.
A criança está internada, recebe acompanhamento médico e apresenta quadro estável, segundo informações das autoridades de saúde. A notícia, apesar de controlada no aspecto clínico, carrega um peso simbólico: mostra que velhos inimigos da saúde pública continuam à espreita — e não perdoam descuidos.
A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença altamente contagiosa, transmitida de pessoa para pessoa por meio de gotículas expelidas ao tossir, espirrar ou até mesmo falar. Em bebês, especialmente, o risco é maior. O sistema imunológico ainda em formação transforma uma simples tosse em algo potencialmente grave.
Os sintomas não são discretos. Crises intensas e prolongadas de tosse, dificuldade para respirar e episódios de vômito após a tosse são alguns dos sinais que exigem atenção imediata. Em crianças pequenas, cada minuto conta.
Diante da confirmação, o Departamento de Vigilância em Saúde iniciou o chamado “bloqueio epidemiológico”: monitoramento de pessoas que tiveram contato com a bebê, além do reforço na cobertura vacinal. É uma corrida contra o tempo e contra a desinformação.
E aqui está o ponto que precisa ser dito com todas as letras: a coqueluche tem prevenção. E ela é gratuita.
A vacina está disponível pelo SUS e segue um calendário claro. Crianças devem receber a pentavalente aos 2, 4 e 6 meses, com reforços posteriores. Gestantes têm papel fundamental ao se imunizarem durante a gravidez, protegendo os recém-nascidos nos primeiros meses de vida. Já os adultos, muitas vezes esquecidos nessa equação, precisam manter a vacinação atualizada a cada dez anos.
Ainda assim, casos como este continuam surgindo e isso levanta uma reflexão incômoda, estamos relaxando demais com o básico?
Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado quedas nos índices de vacinação, impulsionadas por desinformação, medo infundado e até negligência. O resultado é previsível: doenças antes controladas voltam a aparecer, silenciosamente, até se tornarem problema novamente.
Não se trata de pânico, mas de responsabilidade coletiva.
A orientação das autoridades é clara: sintomas leves devem ser avaliados em unidades básicas de saúde. Já sinais mais graves exigem atendimento imediato em UPAs ou prontos atendimentos. Ignorar os sintomas não é uma opção especialmente quando se trata de crianças. Porto Velho, neste momento, não vive um surto. Mas vive um aviso.


