Diagnóstico e tratamento estão disponíveis no SUS, mas adesão ao pré-natal e tratamento dos parceiros ainda são desafios para conter a transmissão ver
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, curável e exclusiva do ser humano . Apesar do diagnóstico simples e do tratamento eficaz oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os casos da doença seguem em crescimento no Brasil e em Rondônia .
Em Rondônia, a situação exige atenção. Um estudo epidemiológico realizado em Porto Velho revelou tendência de queda nas taxas de transmissão entre 2013 e 2020, mas apontou um aumento recente a partir de 2021, indicando a necessidade de ações mais direcionadas no estado .
Na capital, os dados do Plano Municipal de Saúde mostram que, apesar dos avanços, a transmissão vertical — quando a infecção é passada da mãe para o bebê durante a gestação ou parto — ainda preocupa .
A sífilis pode se manifestar em diferentes estágios. Na fase primária, surge uma ferida indolor chamada cancro duro, que desaparece sozinha após algumas semanas. Essa característica é um dos principais perigos da doença, pois a pessoa pode acreditar que está curada, mas a infecção continua no organismo, evoluindo para formas mais graves .
O diagnóstico da sífilis é feito por meio de testes rápidos disponíveis nas unidades básicas de saúde. O resultado fica pronto em até 30 minutos e o exame é tão confiável quanto os testes laboratoriais .
Para gestantes, o diagnóstico precoce e o tratamento imediato são fundamentais.
A sífilis congênita pode causar abortamento, prematuridade, deformidades, lesões na pele, aumento do fígado e baço, icterícia grave e até a morte do recém-nascido .
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostram um aumento expressivo de casos de sífilis em gestantes no Brasil: de 40.133 registros em 2019, o número saltou para 55.820 em 2022 .
Em Cacoal (RO), uma pesquisa analisou 188 casos notificados de sífilis em gestantes entre 2021 e 2024. O estudo constatou diagnóstico precoce em 67% das pacientes, com predominância de sífilis latente (87,2%) — forma assintomática da doença. A adesão ao tratamento completo com penicilina benzatina foi satisfatória em 94,7% dos casos .
No entanto, um dado preocupa: o tratamento do parceiro sexual foi registrado em apenas 64,9% das notificações, o que representa uma lacuna importante na interrupção da cadeia de transmissão .
O tratamento da sífilis é feito com penicilina benzatina, aplicada por injeção intramuscular. O número de doses varia conforme o estágio da infecção. Pessoas com alergia à penicilina devem informar a equipe de saúde para que outro protocolo seja adotado .
É importante destacar que a cura da sífilis não gera imunidade. A pessoa tratada pode ser reinfectada se tiver novas relações sexuais desprotegidas com alguém contaminado .
A prevenção continua sendo a principal aliada no combate à doença. O uso regular de preservativos internos ou externos é uma das medidas mais eficazes. Além disso, pessoas sexualmente ativas devem realizar testes regulares, pelo menos uma vez por ano, e gestantes devem seguir a frequência recomendada no pré-natal .
A sífilis tem cura, mas exige atenção contínua da população e das autoridades de saúde. Em Rondônia, o desafio permanece: garantir diagnóstico precoce, tratamento adequado e engajamento dos parceiros para eliminar a transmissão vertical e proteger a saúde de mães e bebês .
Natália Figueiredo – Portal SGC


