Redação O Bandeirante News
Por Paulo de Tarso
Com quase 30 mil moradores e uma das economias mais fortes da zona rural da capital, distrito enfrenta abandono histórico na infraestrutura, enquanto obras inacabadas colocam em risco estudantes, produtores e comerciantes.
O distrito de União Bandeirantes, localizado a cerca de 160 quilômetros de Porto Velho, é reconhecido como uma das maiores forças econômicas da zona rural da capital. Com uma população estimada em quase 30 mil habitantes, o distrito movimenta o agronegócio por meio da produção de leite, café, cacau, banana, pecuária e diversas outras culturas que ajudam a abastecer Porto Velho e fortalecem a economia de Rondônia.
Apesar da importância econômica e da arrecadação de impostos, moradores afirmam que a realidade vivida há décadas é marcada pelo abandono do poder público. Os problemas vão desde estradas vicinais deterioradas, pontes comprometidas, dificuldades na saúde e educação até a falta de investimentos em infraestrutura urbana.

No período chuvoso, a situação se agrava. Estradas ficam praticamente intransitáveis, pontes oferecem riscos aos motoristas e produtores rurais enfrentam dificuldades para escoar a produção. Ônibus escolares também encontram obstáculos para cumprir suas rotas, comprometendo o direito de estudantes à educação.
Entretanto, um problema que tem gerado grande indignação entre os moradores está no próprio centro de União Bandeirantes.
Há cerca de dois anos, uma solenidade reuniu autoridades municipais, parlamentares e lideranças políticas para anunciar o asfaltamento de diversas ruas do distrito. O evento foi marcado pela assinatura da ordem de serviço, despertando esperança na população de que finalmente o distrito começaria a receber a infraestrutura aguardada há tantos anos.
As máquinas chegaram, os trabalhos começaram e várias ruas foram abertas para receber a pavimentação. Porém, segundo os moradores, a obra perdeu ritmo e acabou sendo interrompida antes da conclusão.
Hoje, o que deveria representar desenvolvimento se transformou em um cenário de transtornos.
Na Rua Chiquilito Erse, uma das vias contempladas pelo projeto, grandes valas e crateras permanecem abertas, dificultando o tráfego de veículos, motociclistas, ciclistas e pedestres.

Durante o período de chuvas, a situação tornou-se ainda mais delicada. Lama, buracos e erosões passaram a representar riscos para crianças que seguem diariamente para a escola, idosos e moradores que precisam circular pela região.
Um dos comerciantes diretamente afetados é o empresário Lindonir Rodrigues, fundador de União Bandeirantes e proprietário de uma loja de autopeças localizada próximo à área da obra.
“É um absurdo o centro de União Bandeirantes estar nesta situação. As crianças passam todos os dias para ir e voltar da escola e correm o risco de cair nesses buracos. Já conversamos várias vezes sobre a conclusão da obra. Sempre dizem que, por causa do inverno, não seria possível executar os serviços e que, quando começasse o verão, tudo seria retomado rapidamente. O verão chegou e, até agora, nada. Pelo jeito isso ainda vai se arrastar por muito tempo”, lamentou.
A moradora Maisa Leite também demonstra indignação com o cenário.
“A população de União Bandeirantes não merece esse descaso. Nós elegemos nossos representantes para resolver os problemas do distrito. É muito difícil conviver com essa situação. Pagamos nossos impostos e não vemos o retorno em melhorias. É um absurdo uma rua nessa condição bem no centro da cidade”, afirmou.
O receio dos moradores é que o problema permaneça sem solução até a chegada de um novo período chuvoso, agravando ainda mais as condições da via.
Outra reivindicação antiga envolve a Avenida 3 de Dezembro, principal corredor urbano do distrito.
Segundo moradores e comerciantes, existe um projeto de revitalização elaborado há anos, custeado por uma cooperativa de crédito, além de recursos provenientes de emenda parlamentar destinados ao município. No entanto, até o momento, a avenida continua apresentando problemas estruturais e aguardando a execução das melhorias.
A sensação predominante entre os moradores é de que União Bandeirantes recebe pouca atenção diante de sua importância econômica para Porto Velho.
“Os comerciantes e os moradores estão pedindo socorro. Até quando vamos viver nessas condições? Parece que toda a atenção fica voltada apenas para a capital, mas aqui também vivem pessoas, famílias que trabalham, pagam impostos e precisam do mínimo: infraestrutura, saúde e educação dignas”, declarou a moradora Cleidiane Batista.
Além das obras paralisadas, moradores relatam que diversas ruas estão tomadas pelo mato, enquanto algumas pontes existentes dentro da área urbana apresentam sinais de deterioração, aumentando a preocupação de quem depende delas diariamente.
Reportagem buscou posicionamento da Prefeitura
A equipe do O Bandeirante News esteve na Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) para obter esclarecimentos sobre a paralisação das obras de pavimentação.
No momento da visita, o secretário Thiago Cantanhede não se encontrava na secretaria. A reportagem foi recebida pela chefe de gabinete, que informou que retornaria o contato após consultar as informações sobre o andamento dos serviços.
Até o fechamento desta reportagem, porém, não houve retorno oficial da secretaria.
O espaço permanece aberto para que a Prefeitura de Porto Velho e a Seinfra apresentem esclarecimentos sobre o cronograma da obra, os motivos da paralisação e a previsão de retomada dos trabalhos.
Enquanto aguardam respostas, moradores seguem convivendo diariamente com ruas esburacadas, obras inacabadas e a expectativa de que União Bandeirantes passe a receber investimentos compatíveis com sua relevância econômica e social para Porto Velho.
Para quem vive no distrito, a reivindicação vai além do asfalto. Trata-se do direito de ir e vir com segurança, de transportar a produção, garantir o acesso à escola, aos serviços públicos e proporcionar melhores condições de vida para milhares de famílias que ajudam a movimentar a economia da capital.







