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Versão de Jair Bolsonaro em IA entra no radar do TSE, enquanto campanha de Flávio adota cautela e cogita boneco de papelão

Flávio Bolsonaro – Jair Bolsonaro Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado / REUTERS/Adriano Machado

Após repercussão do vídeo exibido na convenção do PL, entorno do senador recomenda cautela sobre novas aparições virtuais do ex-mandatário

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu adotar cautela no uso de inteligência artificial para reproduzir a imagem e a voz de Jair Bolsonaro após a repercussão jurídica provocada pelo vídeo exibido durante a convenção nacional do Partido Liberal. Enquanto aguarda uma definição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o entorno do senador avalia recorrer a bonecos de papelão em tamanho real para manter a presença simbólica do ex-mandatário nos atos eleitorais.

Segundo o jornal O Globo, aliados de Flávio continuam sustentando que o vídeo apresentado na convenção não contrariou as normas eleitorais. Apesar disso, a orientação é evitar novas produções semelhantes até que a Justiça Eleitoral estabeleça parâmetros mais claros para o uso da tecnologia na campanha.

O caso chegou ao TSE após adversários de Flávio questionarem a utilização da inteligência artificial para representar Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar. O presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, foi escolhido por sorteio como relator da ação e deverá analisar os limites da utilização de versões sintéticas do ex-mandatário durante o processo eleitoral.

Especialistas consultados apresentam avaliações divergentes sobre a questão eleitoral. Parte deles também considera que a participação de Bolsonaro por meio de uma versão sintética poderia gerar questionamentos relacionados às medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mudança de estratégia

Antes da repercussão do vídeo apresentado na convenção, integrantes da campanha planejavam utilizar novamente a inteligência artificial como forma de ampliar a presença de Jair Bolsonaro na disputa presidencial. A prisão domiciliar impede o ex-mandatário de participar presencialmente de atos políticos.

A reação ao primeiro vídeo, no entanto, alterou o planejamento. A avaliação entre aliados passou a ser de que novas iniciativas devem aguardar uma manifestação mais clara da Justiça Eleitoral, evitando questionamentos jurídicos adicionais no início da campanha.

Procurada, a campanha de Flávio não informou se pretende voltar a utilizar inteligência artificial durante o período eleitoral.

Interlocutores do senador, porém, afirmam reservadamente que a possibilidade não foi descartada. Eles mantêm a avaliação de que a peça apresentada na convenção respeitou as normas eleitorais e não deverá provocar punições contra Flávio ou Bolsonaro.

Uma declaração de Nunes Marques ao jornal O Estado de São Paulo foi interpretada por auxiliares do senador como um sinal favorável à diferenciação entre usos permitidos da tecnologia e conteúdos produzidos para atingir adversários.

“Usar IA para fazer campanha é lícito. O que não pode é usar para prejudicar alguém”, afirmou Nunes Marques.

Apesar dessa interpretação, integrantes da campanha consideram desnecessário criar, neste momento, uma nova frente de disputas jurídicas envolvendo a tecnologia.

Boneco em tamanho real

Enquanto aguarda uma definição do TSE, o grupo político de Flávio considera ampliar o uso de bonecos de papelão de Jair Bolsonaro em tamanho real nos eventos eleitorais.

O recurso já vinha sendo utilizado pelo bolsonarismo desde que o ex-mandatário passou a cumprir prisão domiciliar. Na sexta-feira (24), um boneco apareceu durante a convenção do PL no Rio de Janeiro que oficializou a candidatura do deputado estadual Douglas Ruas ao governo fluminense.

A estratégia também foi empregada em outros eventos. Há três semanas, durante a oficialização da candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes ao Senado, no Ceará, Flávio participou do evento ao lado de uma representação do pai em tamanho real.

De acordo com a apuração, a utilização da versão de Bolsonaro criada por inteligência artificial na convenção nacional do PL partiu da campanha de Flávio. O ex-mandatário não teria autorizado previamente a iniciativa.

Brasil 247

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