Banqueiro afirma que Antônio Rueda atuava em questões ligadas ao fundo; proposta de colaboração foi rejeitada pela PF e pela PGR
A proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, trouxe novas citações envolvendo lideranças políticas no âmbito das investigações sobre o Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro. As informações foram reveladas pela jornalista Bela Megale, do jornal O Globo.
No documento, Vorcaro menciona o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, apontando-o como uma figura relevante em assuntos relacionados ao Rioprevidência. A proposta de colaboração, no entanto, foi rejeitada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que avaliaram que os elementos apresentados pelo banqueiro não acrescentavam fatos novos às investigações em andamento.
Segundo a PF, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro teria atuado politicamente para viabilizar transferências consideradas suspeitas do Rioprevidência para o Banco Master, em operações que somariam cerca de R$ 3,7 bilhões.
Na delação, Vorcaro afirma que Antônio Rueda era responsável por solucionar questões relacionadas ao fundo previdenciário estadual. O banqueiro também sustenta que o dirigente partidário participou da indicação de integrantes da antiga diretoria do Rioprevidência. De acordo com o relato, detalhes sobre a atuação de Rueda seriam apresentados em um anexo específico da colaboração.
Um dos pontos mencionados envolve o ex-diretor de investimentos do Rioprevidência, Euchério Lerner Rodrigues. Conforme depoimento prestado à Polícia Federal pelo ex-presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, foi Rodrigues quem apresentou a proposta de investimento de R$ 970 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. A indicação de Rodrigues ao cargo, segundo o conteúdo da delação, teria sido atribuída a Rueda.
A segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro também detalha supostos pagamentos destinados ao grupo político de Cláudio Castro. Segundo o banqueiro, os repasses teriam ocorrido por meio de duas empresas: Mídias Promotora Ltda e Metanoien Participação e Consultoria.
As duas empresas receberam, juntas, cerca de R$ 228 milhões do Banco Master entre os anos de 2024 e 2025.
O caso segue sob investigação das autoridades federais, que apuram a destinação dos recursos e a atuação dos envolvidos nas operações relacionadas ao Rioprevidência.
Brasil 247


