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“Vou meter um nove na cara dele”: Lula usa truco mineiro para responder Flávio em BH

(TMC Minas)

Em caminhada de campanha no Centro de BH, Lula usou referências ao truco e às viradas do Atlético para falar da disputa com Flávio Bolsonaro, voltou a cobrar a abertura de sigilos e anunciou entrada na mobilização digital comandada por André Janones

O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, recorreu ao truco mineiro para responder a Flávio Bolsonaro (PL) durante ato de campanha no Centro de Belo Horizonte nesta quarta-feira (21/10).

Ao comentar a disputa entre os dois candidatos pela abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos, Lula afirmou que pretende aumentar a aposta contra o adversário.

“Hoje ele tentou botar mentira e, por conceito, eu vou meter um nove na cara dele amanhã”, declarou, em referência a uma jogada de truco.

Na sequência, Lula continuou a analogia com o jogo de cartas.

“As cartas dele são todas falsas. Eu tô com o zap, sete de copas, espada e ouro. Ele vai saber o que é um campeão de truco que aprendeu a jogar com o povo mineiro”, afirmou.

A declaração ocorreu horas depois de Flávio Bolsonaro afirmar que aceita abrir os próprios sigilos, mas apresentar uma série de condições para que a medida seja realizada. Entre as exigências estão informações relacionadas a pessoas próximas de Lula, ao Instituto Lula e a despesas do cartão corporativo da Presidência.

A campanha de Lula informou nesta quarta-feira que aceita as condições apresentadas pelo adversário e que pretende protocolar novos documentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (22/10).

Lula volta a cobrar Flávio pela abertura de sigilos

A disputa em torno dos dados sigilosos também ganhou espaço em outro momento do discurso.

Lula voltou a atacar politicamente o adversário e, diante dos apoiadores, afirmou: “Não é possível que alguém queira colocar o crime organizado dentro do Palácio do Planalto.”

A declaração representa uma acusação feita por Lula contra o candidato do PL durante a campanha.

Na sequência, o presidente puxou uma cobrança que passou a ser repetida pelo público:

“Ei, Flávio, abre o sigilo. Ei, Flávio, abre o sigilo.”

A discussão começou após Lula apresentar ao TSE uma autorização para a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, condicionada à apresentação de autorização equivalente por Flávio.

O candidato do PL respondeu nesta quarta-feira dizendo que aceita o desafio, mas ampliou o alcance da proposta. Flávio afirmou estar disposto a disponibilizar dados dos últimos 20 anos e apresentou exigências envolvendo familiares, ex-assessores, empresas e registros ligados ao governo Lula.

‘Eu acredito’: Lula cita viradas históricas do Atlético

Antes da metáfora com o truco, Lula já havia recorrido a outra referência diretamente ligada a Minas Gerais.

O presidente relembrou a campanha do Atlético na Copa do Brasil de 2014 e o grito de “Eu acredito” que marcou as viradas do clube contra Corinthians e Flamengo.

“Agora, a torcida de Minas Gerais, a torcida de Belo Horizonte, vai gritar: ‘Lula, eu acredito. Eu acredito. Eu acredito’”, disse.

Na Copa do Brasil de 2014, o Atlético perdeu os jogos de ida contra Corinthians e Flamengo por 2 a 0. Nos dois confrontos de volta, venceu por 4 a 1 e avançou na competição. Depois, conquistou o título sobre o Cruzeiro.

Lula usou a história das viradas como metáfora para a reta final do segundo turno da eleição presidencial.

Lula pede entrada no ‘Exército do Lula’

O presidente também aproveitou o ato em Belo Horizonte para falar sobre a mobilização digital organizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).

Lula se dirigiu ao parlamentar como “General Janones” e disse que passará a participar pessoalmente do chamado “Exército do Lula”, canal utilizado pela campanha para mobilizar apoiadores pelo WhatsApp.

“Eu nunca tive um celular. Agora eu ganhei um celular do governador do Piauí. Eu, a partir de amanhã, vou ter um celular e vou fazer parte do Exército do Lula”, afirmou.

Lula também convocou os participantes do ato a entrarem no grupo e estabeleceu uma meta para a mobilização.

“Quero convidar todos vocês […] a entrar no nosso exército pra gente chegar a 10 milhões até quinta-feira”, declarou.

Nesta quarta-feira, o canal administrado por Janones já havia alcançado a marca de cerca de 7 milhões de participantes.

No fim do trecho, Lula brincou com a hierarquia militar adotada pela mobilização digital.

“O General Janones, o General Silva, que sou eu, Marechal Silva, nós vamos comandar”, afirmou.

Lula pede cuidado a apoiadores durante caminhada

O discurso ocorreu durante caminhada de campanha entre as praças da Estação e Raul Soares, na região central de Belo Horizonte, a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial.

Logo no início da participação, Lula chamou atenção para o empurra-empurra entre os apoiadores e pediu que as pessoas evitassem situações que pudessem provocar acidentes.

“Tem muita gente que pode se machucar. Tem pessoa de idade aqui. Tem gente com criança no colo”, afirmou.

Em seguida, pediu tranquilidade durante o deslocamento.

“Paciência, muita alegria, muita festa, mas sem ninguém se machucar”, disse.

A mobilização desta quarta-feira integra a agenda de Lula em Minas Gerais na reta final da disputa presidencial.

Entrevista cancelada na Record

Lula participaria nesta quarta, após o ato em BH, de uma entrevista na Record. O presidente, no entanto, cancelou a participação alegando problemas na voz. Durante o ato na capital mineira, ele demonstrou dificuldade para fazer seus discursos, dando longas pausas entre uma fala e outra.

Segundo turno será neste domingo

Lula enfrenta Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial no próximo domingo (25/10).

No primeiro turno, Flávio terminou à frente nacionalmente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os dois foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.

A caminhada em Belo Horizonte ocorre a quatro dias da votação e faz parte da mobilização das campanhas para conquistar votos na reta final da eleição.

TMC

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