SALA DE AULA SOB PRESSÃO; QUANDO ENSINAR ADOECE: Não é força de expressão: professores estão adoecendo em ritmo acelerado no Brasil. Relatórios do INSS mostram crescimento dos afastamentos por transtornos mentais nos últimos anos, e educadores estão entre os grupos mais atingidos. Ansiedade, depressão, síndrome de burnout e problemas vocais lideram a lista. Na ponta, quem sente primeiro é a escola.
A rotina ajuda a explicar. Jornadas que ultrapassam o horário de aula, acúmulo de turmas, metas inalcançáveis, burocracia sem fim e salários corroídos pela inflação formam um caldeirão de pressão. Soma-se a isso a desvalorização social, a violência — física e simbólica — dentro e fora da sala e, em muitos casos, a perseguição institucional por cobrar direitos ou denunciar problemas. O resultado é o esgotamento.
Levantamentos de entidades representativas indicam que a maioria dos docentes relata níveis elevados de estresse e sensação de desamparo. Não é raro que o professor trabalhe doente, por medo de represálias ou por não haver substituto. Quando o corpo e a mente pedem pausa, o afastamento vira regra — e a aprendizagem, exceção.
O fundo do poço não é individual; é sistêmico. Adoece quem ensina, perde quem aprende. Valorizar o professor não é slogan: passa por condições dignas de trabalho, apoio psicológico contínuo, gestão humanizada e respeito. Sem isso, a escola continua em pé — mas sustentada por gente exausta. Por Paulo de Tarso - Jornalista