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FESTA PARA UNS, ESPERA PARA OUTROS: "Em Rondônia, os cofres públicos parecem ter descoberto uma vocação especial para financiar palcos. De norte a sul do estado, multiplicam-se anúncios de emendas parlamentares para festas, rodeios, exposições e shows. O dinheiro aparece com rapidez para a contratação de atrações e estruturas de eventos, mas a mesma agilidade raramente é vista quando o assunto é hospital sem equipamentos, escola precisando de reforma ou distrito abandonado pelas políticas públicas." E antes que alguém torça o nariz, vale deixar claro: cultura é importante. Festa movimenta a economia, gera renda, fortalece tradições e leva entretenimento para a população. O problema não está no palco. O problema é quando o palco vira prioridade absoluta e o restante do estado fica nos bastidores. Enquanto milhões são destinados para eventos, há pacientes aguardando exames por meses, hospitais enfrentando falta de estrutura, escolas necessitando de reformas e distritos inteiros convivendo com estradas que mais parecem cenário de aventura extrema. Em algumas localidades do interior, uma ambulância tem dificuldade para chegar. Mas para o caminhão do show, curiosamente, sempre aparece um jeito. O mais curioso é que inauguração de leito não rende selfie como camarote. Reforma de escola não gera a mesma repercussão que um cantor famoso. Recuperação de estrada não produz vídeos tão animados quanto fogos de artifício e multidões cantando refrões conhecidos. A impressão que fica é que parte da classe política descobriu que aplauso dá mais voto do que resultado. E assim seguimos: o povo dança na praça à noite e enfrenta filas, buracos e abandono na manhã seguinte. Cultura merece investimento. Sempre. Mas quando hospitais agonizam, escolas precisam de socorro e distritos são esquecidos pelo poder público, a pergunta é inevitável: estamos financiando prioridades ou apenas patrocinando palcos para discursos políticos? Porque festa dura um fim de semana. O abandono, infelizmente, permanece o ano inteiro. POR PAULO DE TARSO - JORNALÍSTA
RONDÔNIA RURAL SHOW OU SHOW ELEITORAL? Se alguém chegasse de paraquedas na Rondônia Rural Show sem saber do que se trata, poderia facilmente concluir que o evento foi criado para reunir pré-candidatos em seu habitat natural. Tratores, implementos agrícolas, tecnologias para o campo e animais de genética apurada até estavam por lá, mas precisavam disputar espaço com uma espécie ainda mais abundante: os políticos em busca de visibilidade. Era deputado abraçando produtor, senador cumprimentando expositor, pré-candidato gravando vídeo, líder político distribuindo sorrisos e assessor correndo atrás com celular na mão. Em alguns momentos, parecia que o eleitor havia se transformado em uma raridade da feira. Onde aparecia um, logo surgia uma fila de interessados em apertar sua mão. A corrida pela popularidade chegou a níveis curiosos. Havia quem atravessasse corredores inteiros apenas para garantir uma foto estratégica. Outros pareciam cumprir uma maratona eleitoral não oficial, acumulando selfies, acenos e discursos improvisados em velocidade digna de competição olímpica. O mais interessante é que ninguém estava fazendo campanha. Pelo menos oficialmente. Era apenas uma impressionante coincidência ver tantos nomes que sonham com as urnas concentrados no mesmo lugar, falando com o mesmo público e registrando cada passo nas redes sociais. Tudo dentro da mais absoluta normalidade institucional, claro. Enquanto o agronegócio fechava negócios milionários e discutia o futuro da produção rural, boa parte da classe política parecia preocupada com outra colheita: a dos votos que poderão amadurecer em 2026. No fim das contas, a Rondônia Rural Show continua sendo uma vitrine do agronegócio rondoniense. Mas ficou difícil ignorar que, entre uma máquina agrícola e outra, muitos já estavam medindo não a produtividade da terra, mas a fertilidade eleitoral do terreno. POR PAULO DE TARSO - JORNALÍSTA
FISCALIZAÇÃO OU CAÇA-CLIQUE? Tem uma moda pegando em Rondônia, e em Porto Velho isso já virou quase “reality show político”. Tem vereador que trocou gabinete por ring light, reunião por reels e fiscalização por produção de conteúdo. Sai de dia, sai de noite, celular na mão, câmera ligada e discurso ensaiado, como se estivesse numa mistura de influencer com xerife da internet. Aí entra em posto de saúde, escola, repartição pública e faz do servidor o personagem principal do vídeo. Enfermeira cansada depois de plantão puxado, professor tentando segurar sala lotada, técnico trabalhando em prédio caindo aos pedaços… tudo vira palco para lacração digital. E claro, postagem, corte, música dramática e legenda pronta para ganhar curtida e comentário revoltado. Fiscalizar? Claro que é obrigação do vereador. Aliás, é uma das principais funções. Mas fiscalizar o quê? O servidor que está ali tentando fazer milagre sem estrutura? Ou o Executivo que administra milhões em orçamento público? Porque é muito mais fácil constranger trabalhador na frente da câmera do que apertar secretário, cobrar contrato, investigar gasto suspeito ou exigir transparência de quem realmente manda na máquina. Tem profissional da saúde comprando material do próprio bolso. Professor tirando da própria renda para ajudar aluno. Servidor adoecendo por excesso de trabalho e salário apertado. Mas, no vídeo de internet, parece que o culpado pelo caos é justamente quem está segurando o rojão. E o pior, parte da população acaba confundindo espetáculo com trabalho sério. Vereador não foi eleito para ser influencer da indignação. Foi eleito para legislar, fiscalizar contratos, acompanhar orçamento, cobrar resultados e defender a população com responsabilidade, não com humilhação pública de trabalhador. POR PAULO DE TARSO
O VOTO NÃO É DECIDIDO NO GOGÓ: De tempos em tempos, a política entra naquele velho teatro do “já ganhou”. Basta aparecer uma pesquisa positiva, um evento cheio, um vídeo com multidão ou um grupo fazendo muito barulho nas redes sociais para surgir a falsa sensação de eleição resolvida. Não está. A experiência mostra justamente o contrário. Quanto mais cedo um candidato acredita na própria invencibilidade, maior costuma ser o distanciamento da realidade. A política tem um detalhe que muitos esquecem: o eleitor observa em silêncio. Em Rondônia, principalmente no interior, o cidadão pode até participar da carreata, aceitar santinho, tirar foto e ouvir discurso bonito. Mas o voto verdadeiro só aparece dentro da cabine. E ali não existe marqueteiro, foguete, pressão de grupo político ou pesquisa que obrigue alguém a apertar um número. Existe apenas consciência. O problema é que parte da classe política continua confundindo movimentação com aceitação popular. Campanha barulhenta impressiona assessor, aliado e militância. Mas quem paga conta, enfrenta hospital lotado, estrada ruim, abandono nos bairros e promessa esquecida quer mais do que espetáculo eleitoral. Quer resultado. O eleitor amadureceu muito nos últimos anos. Está mais desconfiado, mais crítico e menos disposto a cair em narrativas prontas. Já viu muita gente posar de favorita e desaparecer depois da abertura das urnas. Também já viu candidatos desacreditados crescerem justamente pela simplicidade, pela presença e pela credibilidade construída no dia a dia. POR PAULO DE TARSO
CADA GAVETA ABERTA VIRA OUTRO INCÊNDIO: Tem escândalo financeiro que parece série de streaming, quando o público acha que chegou no último episódio, aparece mais um capítulo, mais um personagem e mais uma confusão. O caso do Banco Master caminha exatamente nessa direção. A cada dia surge uma nova revelação, um novo nome envolvido, uma nova ligação inesperada e uma nova pergunta sem resposta. E o pior; quanto mais mexem na estrutura do caso, mais forte fica o cheiro de problema institucional, político e financeiro. O empresário Daniel Vorcaro, dono do banco, virou praticamente o centro de um emaranhado que parece atravessar corredores empresariais, políticos e setores influentes do país. O roteiro já deixou de ser apenas econômico. Virou um grande retrato brasileiro de relações perigosamente próximas entre poder, influência e dinheiro. E o que mais chama atenção não é apenas o surgimento das denúncias. É a velocidade com que aparecem novos personagens tentando explicar amizades, negócios, reuniões, contratos, investimentos e conexões que, até ontem, pareciam absolutamente normais. No Brasil, existe uma tradição quase folclórica: enquanto tudo dá lucro, todo mundo tira foto junto. Quando o barco começa a balançar, ninguém se conhece mais. Alguns viram “apenas conhecidos”, outros “participaram de reuniões institucionais”, e há até quem descubra repentinamente que “não tinha conhecimento da operação”. O problema é que os fatos começam a formar um desenho desconfortável. E não pela existência de investigação, investigação faz parte do Estado democrático, mas pelo efeito cascata que o caso provoca nos bastidores do poder. Cada nova informação levanta uma sensação perigosa, a de que talvez o problema não estivesse apenas dentro de um banco, mas em uma cultura antiga de proximidade excessiva entre setores que deveriam manter distância técnica e institucional. E aí nasce a pergunta que circula nos setores políticos, empresariais e jurídicos, até onde isso vai? Porque quando um caso começa a puxar tantos fios ao mesmo tempo, o receio não é apenas descobrir irregularidades. O medo real é descobrir o tamanho da rede. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA
PESQUISA NÃO ELEGE: Em ano pré-eleitoral, começa a velha enxurrada de números, gráficos e pesquisas aparecendo em grupos de WhatsApp, sites e redes sociais como se fossem verdade absoluta. Mas o eleitor de Rondônia precisa ficar atento e desconfiar quando uma pesquisa parece mais propaganda do que retrato da realidade. Nem todo instituto tem credibilidade. Muitas vezes aparecem levantamentos sem transparência, sem metodologia clara e, em alguns casos, claramente puxando a sardinha para determinado candidato. Isso vale tanto para a corrida regional, envolvendo deputados e senadores, quanto para a disputa nacional pela Presidência da República. Já teve eleição em que pesquisa mostrava um candidato lá na frente e, no fim, outro acabou vencendo nas urnas. Em muitos casos, quem aparecia como último colocado surpreendeu e ganhou a eleição, enquanto o favorito das pesquisas terminou derrotado. Isso mostra que pesquisa pode indicar tendência, mas nunca pode ser tratada como resultado definitivo. Em Rondônia, onde a política ainda é muito decidida no corpo a corpo, na conversa e no sentimento das ruas, pesquisa distante da realidade dificilmente se sustenta até o dia da votação. O eleitor precisa observar quem contratou a pesquisa, qual instituto realizou, quantas pessoas foram entrevistadas, onde o levantamento foi registrado e se aquele instituto realmente possui histórico de credibilidade. No fim das contas, quem decide eleição não é gráfico de internet nem manchete patrocinada. É o voto consciente dentro da urna. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA 
NA FALTA DE ARGUMENTO, SOBROU SOCO: O que aconteceu nesta terça-feira (12) dentro da Câmara Municipal de Porto Velho ultrapassa qualquer limite do aceitável. Um jornalista, no exercício da profissão, acabou agredido fisicamente pelo vereador MARCOS COMBATE em pleno espaço público, justamente onde deveria prevalecer o diálogo, o respeito e o equilíbrio. Foram socos, empurrões e uma cena lamentável que rapidamente movimentou toda classe de jornalistas, repudiando as agressões. A Câmara, que deveria ser a casa do povo, acabou virando palco de intolerância. E o mais grave: contra um profissional que estava ali trabalhando, fazendo perguntas e cumprindo seu papel de informar a população. Gostando ou não da imprensa, ninguém tem o direito de partir para agressão porque se incomodou com questionamentos. Política não pode funcionar na base da pancada. Se essa moda pega, daqui a pouco vereador irritado resolve trocar debate por violência toda vez que ouvir algo que não gosta. A democracia aceita crítica, cobrança e divergência. O que ela não aceita é covardia travestida de autoridade. Quem ocupa cargo público precisa entender uma coisa básica: mandato não dá licença para intimidar ninguém. Muito menos jornalista. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA
TARDE DEMAIS, MEU AMIGO: Agora não adianta chorar o leite derramado. O pedágio da BR-364 virou aquele tipo de problema que todo mundo viu chegando, mas fingiu que era só poeira na estrada. Pois é… não era poeira, era pedágio vindo — e dos mais caros. O que a gente vê agora é barulho. Muito discurso, muita indignação de última hora, muito pré-candidato querendo pegar uma beirinha pra aparecer. Amor pelo povo, assim, de repente… só quando convém. Antes disso, era um silêncio que dava até eco. E aí entra a BANCADA FEDERAL DE RONDÔNIA. Que tinha caneta, tinha espaço, tinha tempo — e preferiu assistir tudo de camarote, lá em Brasília, com ar-condicionado e café quente. Viram o processo andar, a concessão sair, o pedágio nascer… e não fizeram nada que mudasse o rumo da história. Agora querem correr atrás. Mas correr atrás do quê, exatamente? O contrato já tá assinado, o povo já tá pagando e a realidade já bateu na porta faz tempo. E não é só pedágio, não. Aqui em Rondônia parece que tudo vem com preço inflado: combustível, energia, custo de vida… viver virou um desafio diário. E quem podia ter segurado lá atrás, deixou passar.  No fim, fica aquele roteiro velho conhecido: primeiro deixaram acontecer, depois ficam brigando — ou fingindo que estão empenhados em cancelar contrato, como já vimos no caso da nossa energia. Aí passa a eleição, o assunto esfria e some junto com a coragem. Quero só ver se depois das urnas vai ter alguém eleito mantendo essa mesma disposição toda… sinceramente, tô quase pagando pra ver. POR PAULO DE TARSO - JORNALÍSTA 
VICE; O "PARÇA" QUE PODE VIRAR PATRÃO: Em Rondônia, tem candidato que escolhe vice como quem escolhe padrinho de casamento: na empolgação, no aperto de mão e na promessa de “tamo junto”. O problema é que, na política, o “tamo junto” costuma ter prazo de validade — e, quando vence, o que era parceria vira disputa de egos. Vice não é enfeite de chapa, não. É seguro de vida… ou risco calculado. Porque basta uma viagem mais longa, uma licença estratégica ou aquela velha vontade de disputar outro cargo, e pronto: o vice senta na cadeira e descobre que o ar lá em cima é diferente. Tem gente que se encanta rápido. O poder, meu amigo, não sobe só pra cabeça — faz até quem era sombra querer virar sol do meio-dia. E aí começa o roteiro que o rondoniense já conhece bem; o titular sai achando que deixou um aliado, mas quando olha pelo retrovisor, o discurso já mudou. O que antes era “continuidade” vira “agora vai”. O vice, agora comandante, quer mostrar serviço a qualquer custo. E, pra isso, tem quem não pense duas vezes antes de jogar a gestão anterior na fogueira, mesmo tendo assinado embaixo de tudo até ontem. É nessa hora que “a cobra fuma”. Aparecem auditorias, revisões, cortes simbólicos e aquele jeitinho de dizer: “se deu errado, não fui eu”. Tudo embalado com discurso de renovação, transparência e, claro, um olho já na reeleição. Política tem memória curta, mas o eleitor não é bobo, percebe quando a crítica vem mais de conveniência do que de convicção. Mas justiça seja feita, também tem titular que trata o vice como figurante, esquece de dividir decisões e planta o próprio problema. Aí, quando precisa, descobre que deixou crescer um concorrente dentro de casa. Escolher vice em Rondônia, e no Brasil inteiro, é um ato de coragem e de cálculo fino. Não basta ser “gente boa”, tem que ser leal quando convém e firme quando aperta. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA
PORTO VELHO SÓ EXISTE ATÉ ONDE TEM ASFALTO: Nos distritos de Porto Velho, a sensação é de estar sempre no fim da fila, quando não fora dela. Enquanto a cidade tenta manter a aparência de normalidade, basta pegar a estrada de chão pra ver a realidade; buraco que vira atoleiro, poeira que vira lama e promessa que nunca vira obra. Tem aluno perdendo aula porque o ônibus não chega. E não chega porque a estrada simplesmente não deixa. Na saúde, o cenário não melhora, falta atendimento, falta estrutura e, muitas vezes, falta até esperança de ser atendido sem precisar encarar horas de deslocamento. Pra quem vive nessas regiões, o básico virou luxo. O mais curioso, ou revoltante, é que os distritos só aparecem no discurso. Na prática, ficam esquecidos, como se não fizessem parte do município. A gestão parece enxergar Porto Velho só do asfalto pra dentro. Do outro lado, onde a poeira sobe e a lama trava, o abandono fala mais alto. E aí fica a pergunta que ecoa entre quem vive essa realidade todo dia: até quando? Porque enquanto o problema é tratado como detalhe, tem gente vivendo o prejuízo na pele. E não é pouco. Por Paulo de Tarso - Jornalista