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Categoria: Ao ponto
VICE; O "PARÇA" QUE PODE VIRAR PATRÃO: Em Rondônia, tem candidato que escolhe vice como quem escolhe padrinho de casamento: na empolgação, no aperto de mão e na promessa de “tamo junto”. O problema é que, na política, o “tamo junto” costuma ter prazo de validade — e, quando vence, o que era parceria vira disputa de egos. Vice não é enfeite de chapa, não. É seguro de vida… ou risco calculado. Porque basta uma viagem mais longa, uma licença estratégica ou aquela velha vontade de disputar outro cargo, e pronto: o vice senta na cadeira e descobre que o ar lá em cima é diferente. Tem gente que se encanta rápido. O poder, meu amigo, não sobe só pra cabeça — faz até quem era sombra querer virar sol do meio-dia. E aí começa o roteiro que o rondoniense já conhece bem; o titular sai achando que deixou um aliado, mas quando olha pelo retrovisor, o discurso já mudou. O que antes era “continuidade” vira “agora vai”. O vice, agora comandante, quer mostrar serviço a qualquer custo. E, pra isso, tem quem não pense duas vezes antes de jogar a gestão anterior na fogueira, mesmo tendo assinado embaixo de tudo até ontem. É nessa hora que “a cobra fuma”. Aparecem auditorias, revisões, cortes simbólicos e aquele jeitinho de dizer: “se deu errado, não fui eu”. Tudo embalado com discurso de renovação, transparência e, claro, um olho já na reeleição. Política tem memória curta, mas o eleitor não é bobo, percebe quando a crítica vem mais de conveniência do que de convicção. Mas justiça seja feita, também tem titular que trata o vice como figurante, esquece de dividir decisões e planta o próprio problema. Aí, quando precisa, descobre que deixou crescer um concorrente dentro de casa. Escolher vice em Rondônia, e no Brasil inteiro, é um ato de coragem e de cálculo fino. Não basta ser “gente boa”, tem que ser leal quando convém e firme quando aperta. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA
PORTO VELHO SÓ EXISTE ATÉ ONDE TEM ASFALTO: Nos distritos de Porto Velho, a sensação é de estar sempre no fim da fila, quando não fora dela. Enquanto a cidade tenta manter a aparência de normalidade, basta pegar a estrada de chão pra ver a realidade; buraco que vira atoleiro, poeira que vira lama e promessa que nunca vira obra. Tem aluno perdendo aula porque o ônibus não chega. E não chega porque a estrada simplesmente não deixa. Na saúde, o cenário não melhora, falta atendimento, falta estrutura e, muitas vezes, falta até esperança de ser atendido sem precisar encarar horas de deslocamento. Pra quem vive nessas regiões, o básico virou luxo. O mais curioso, ou revoltante, é que os distritos só aparecem no discurso. Na prática, ficam esquecidos, como se não fizessem parte do município. A gestão parece enxergar Porto Velho só do asfalto pra dentro. Do outro lado, onde a poeira sobe e a lama trava, o abandono fala mais alto. E aí fica a pergunta que ecoa entre quem vive essa realidade todo dia: até quando? Porque enquanto o problema é tratado como detalhe, tem gente vivendo o prejuízo na pele. E não é pouco. Por Paulo de Tarso - Jornalista 
ANO ELEITORAL; MILAGRE ATÉ EM PROMESSA: Em ano eleitoral, meu amigo, até o impossível vira política pública — pelo menos no discurso. É como se, de repente, o Brasil descobrisse que tem dinheiro, solução e boa vontade pra tudo. O que faltava ontem, hoje aparece com pressa, embrulhado em anúncio, bônus e coletiva. Não é novidade. É roteiro repetido. A eleição vai chegando e o poder vira um balcão de boas intenções: crédito facilitado, benefício ampliado, tarifa segurada, promessa espalhada feito santinho em dia de votação. Tudo urgente. Tudo necessário. Tudo “pro povo”. Mas curiosamente, esse zelo todo com a população tem prazo de validade. Passa outubro, some a pressa, volta o discurso da responsabilidade, do ajuste, do “não dá pra fazer agora”. A conta? Ah, essa nunca desaparece — só muda de endereço e, no fim, cai no colo de sempre. No Congresso, a conversa também muda de tom. Projetos que antes dormiam em gaveta ganham prioridade. Afinal, ninguém quer sair na foto como quem travou benefício em ano de urna aberta. No fim das contas, não é sobre se pode ou não pode gastar. É sobre quando convém. E, convenhamos, em ano eleitoral, convém tudo. POR PAULO DE TARSO - JORNALÍSTA
CORRIDA AO GOVERNO; TODO MUNDO PRONTO... SERÁ? : Nos bastidores da política rondoniense, o clima já é de pré-campanha — mesmo que, oficialmente, ainda se fale em cautela. Três nomes começam a ganhar corpo nesse cenário: Marcos Rogério, Adailton Fúria e Hildon Chaves. Cada um com seu estilo, sua base e, principalmente, seus desafios. Marcos Rogério joga com a força de quem já tem visibilidade nacional e trânsito em Brasília. Mas carrega o peso de precisar provar que discurso firme se traduz em gestão eficiente — algo que o eleitor anda cobrando cada vez mais. Não basta falar bonito no Senado; o povo quer saber se resolve no chão de Rondônia. Já Adailton Fúria vem com aquele perfil mais direto, de gestor que gosta de mostrar serviço. Cresceu politicamente com uma imagem de “fazedor”, especialmente no interior. O problema é romper a bolha regional e convencer o restante do estado de que sua experiência local dá conta de um governo inteiro — e não apenas de uma prefeitura bem avaliada. Hildon Chaves, por sua vez, tenta capitalizar sua passagem pela capital. Tem discurso técnico, postura moderada e aposta na imagem de administrador equilibrado. Mas enfrenta o desafio de empolgar o eleitorado. Em política, às vezes, ser correto não é suficiente — é preciso também criar conexão, gerar entusiasmo. No fim das contas, o que se desenha é um cenário sem favorito absoluto. Rondônia parece caminhar para uma disputa aberta, onde o eleitor, mais atento e desconfiado, não está disposto a comprar promessa vazia. Quem quiser chegar forte em 2026 vai precisar mais do que estratégia: vai ter que mostrar resultado, verdade e, acima de tudo, respeito com quem vota. Porque por aqui, meu amigo, o povo até escuta… mas só acredita vendo. Por: Paulo de Tarso - Jornalista
ROCHA FICA, E O SONHO ESPERA : Na política de Rondônia, nem sempre o que parece certo vira realidade. E dessa vez, o recado veio direto, sem rodeio, o governador Marcos Rocha decidiu ficar. Segue no comando do Estado até o fim do mandato, sem abrir espaço, sem passar a caneta e, principalmente, sem alimentar expectativas nos bastidores. A decisão, apesar de legítima e dentro das regras do jogo, caiu como um balde de água fria em quem esperava uma reviravolta, principalmente no vice, Sérgio Gonçalves. O que se ouve é que havia, sim, um sonho sendo construído. A chance de assumir o governo, ainda que por um período, poderia mudar o rumo de uma trajetória política e colocar de vez o nome dele no jogo grande. Mas não foi dessa vez. Rocha optou pela estabilidade. Preferiu segurar o leme até o fim, manter o controle da gestão e evitar abrir espaço em um momento delicado do cenário político nacional. É uma escolha estratégica, claro, e também pessoal. No fundo, política é isso: cálculo, timing e, muitas vezes, silêncio. Para Sérgio Gonçalves, fica o aprendizado, e talvez a frustração guardada. Porque em Rondônia, quem vive de política sabe: oportunidade não se pede, se constrói. E, quando ela não vem, o jeito é continuar caminhando, mesmo com o gosto amargo do “quase”. Por: PAULO DE TARSO - JORNALISTA 
VOTO SEM CONSCIÊNCIA COBRA CARO: Tem muita gente que encara a urna como obrigação, não como poder. Vai lá, aperta qualquer número, cumpre o “dever” e volta pra casa como se tivesse feito o suficiente. Mas voto não é carimbo de presença, é decisão que pesa por quatro anos, às vezes muito mais. Aqui em Rondônia, como em boa parte do país, ainda tem eleitor que escolhe no impulso, na amizade, no favor, no “me ajuda que eu te ajudo”. Outros votam pela raiva, pela onda do momento, ou simplesmente porque não quiseram perder tempo pesquisando. E depois vem a cobrança: cadê a saúde? cadê a estrada? cadê a segurança? A verdade é dura, mas precisa ser dita: político ruim não nasce do nada, ele é eleito. E muitas vezes eleito por falta de atenção, de interesse ou de consciência de quem vota. O voto é simples na hora de apertar, mas gigante nas consequências. Não é só um direito, é uma responsabilidade. E enquanto a gente tratar isso como algo pequeno, vai continuar colhendo resultados do mesmo tamanho. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA
CHEGA DE PROMESSA, RONDÔNIA QUER ENTREGA: O eleitor de Rondônia já não se impressiona com discurso afinado nem com agenda cheia de fotos. O que ele quer é bem mais simples e, curiosamente, mais difícil de encontrar: resultado. Depois de tantos ciclos eleitorais, a paciência encurtou. E a memória, ao contrário do que muitos políticos ainda apostam, anda mais afiada. No interior, onde o asfalto acaba e a realidade começa, o sentimento é direto, não dá mais para governar só em período eleitoral. Estrada que some no inverno, hospital que vive no limite, segurança que depende do acaso isso não cabe mais em promessa. Cabe em solução. E com prazo. O próximo governador não precisa ser o dono do melhor marketing, nem o campeão de palanque. Precisa ser alguém que entenda que gestão pública não é campanha permanente. É entrega diária, silenciosa e, muitas vezes, ingrata. Porque, no fim, o que conta não é o discurso que emociona é o problema que deixa de existir. Há também um eleitor mais atento, menos tolerante com velhos vícios. Aquele que já percebeu que troca de grupo político nem sempre significa mudança de prática. Que sabe identificar quando o “novo” vem com manual antigo. E que começa a exigir coerência algo raro, mas cada vez mais cobrado. O rondoniense não espera milagre. Mas também não aceita mais desculpa pronta. Quer saúde funcionando, estrada trafegável, presença do Estado onde hoje só chega promessa. Quer, sobretudo, respeito algo que começa quando o voto deixa de ser tratado como favor e passa a ser entendido como cobrança. O eleitor de Rondônia já não se impressiona com discurso afinado nem com agenda cheia de fotos. O que ele quer é bem mais simples e, curiosamente, mais difícil de encontrar: resultado. Depois de tantos ciclos eleitorais, a paciência encurtou. E a memória, ao contrário do que muitos políticos ainda apostam, anda mais afiada. No interior, onde o asfalto acaba e a realidade começa, o sentimento é direto; não dá mais para governar só em período eleitoral. Estrada que some no inverno, hospital que vive no limite, segurança que depende do acaso isso não cabe mais em promessa. Cabe em solução. E com prazo. O próximo governador não precisa ser o dono do melhor marketing, nem o campeão de palanque. Precisa ser alguém que entenda que gestão pública não é campanha permanente. É entrega diária, silenciosa e, muitas vezes, ingrata. Porque, no fim, o que conta não é o discurso que emociona é o problema que deixa de existir. Há também um eleitor mais atento, menos tolerante com velhos vícios. Aquele que já percebeu que troca de grupo político nem sempre significa mudança de prática. Que sabe identificar quando o “novo” vem com manual antigo. E que começa a exigir coerência algo raro, mas cada vez mais cobrado. O rondoniense não espera milagre. Mas também não aceita mais desculpa pronta. Quer saúde funcionando, estrada trafegável, presença do Estado onde hoje só chega promessa. Quer, sobretudo, respeito algo que começa quando o voto deixa de ser tratado como favor e passa a ser entendido como cobrança. Por Paulo de Tarso - Jornalista
MOVIMENTO QUE MUDA O JOGO: A ida do ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, para a Federação União Progressista que reúne União Brasil e Progressistas, não é apenas mais uma troca de partido. É um movimento calculado, com endereço certo: o Governo de Rondônia em 2026. Na política, ninguém muda de casa por acaso. E, neste caso, a mudança vem acompanhada de estrutura, tempo de televisão, fundo partidário e, principalmente, poder de articulação. Hildon sai de um PSDB enfraquecido e desembarca em um bloco que hoje oferece musculatura real para uma disputa majoritária. Mas nem tudo são aplausos. Se por um lado o ex-prefeito ganha força partidária, por outro assume o peso de liderar um projeto que vai exigir mais do que discurso técnico e gestão administrativa. Ele precisará provar que sua experiência em Porto Velho é suficiente para dialogar com um estado diverso, com demandas que vão muito além da capital. Há também o fator político puro: alianças. A federação é grande, mas não caminha sozinha. Hildon terá que costurar apoios, enfrentar resistências e, sobretudo, mostrar habilidade em um campo onde a técnica nem sempre vence, a política raiz, de bastidores, acordos e sobrevivência. Outro ponto que não pode ser ignorado é o eleitor. Em tempos de descrença, trocar de partido pode soar estratégico para quem está dentro do jogo, mas para quem está fora, muitas vezes parece apenas mais do mesmo. Cabe a ele transformar essa movimentação em narrativa convincente. Ainda assim, é inegável, Hildon entra no radar como um nome competitivo. Não é mais uma aposta distante, é um jogador sentado à mesa principal. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA - EDITOR
CURRÍCULO OU SÓ CORAGEM? À medida que se aproximam as eleições para o governo de Rondônia, o cenário político de Rondônia começa a se encher de pré-candidatos ao governo. Alguns surgem com experiência administrativa, outros com capital político acumulado, e há também aqueles que parecem ter descoberto a vocação para governar quase como quem descobre um hobby novo. Faz parte da democracia. O problema é quando a distância entre ambição e preparo se torna grande demais. Governar Rondônia não é tarefa simples. O estado enfrenta desafios históricos em áreas como saúde pública, infraestrutura, desenvolvimento regional e gestão fiscal. Exige conhecimento de máquina pública, capacidade de articulação política e, principalmente, histórico de decisões que demonstrem maturidade administrativa. Ainda assim, a cada ciclo eleitoral surgem nomes que parecem acreditar que popularidade momentânea ou visibilidade nas redes sociais substituem trajetória. Há pré-candidatos com carreira consolidada, que já passaram por mandatos legislativos ou cargos executivos e carregam no currículo acertos e erros, algo natural em quem realmente exerceu função pública. Esses, pelo menos, oferecem ao eleitor um histórico concreto para ser avaliado. Mas também aparecem figuras cuja principal credencial ainda é a própria intenção de disputar. E política, como se sabe nos bastidores, é um terreno onde coragem ajuda, mas currículo pesa. O eleitor rondoniense, que ao longo dos anos tem demonstrado senso crítico cada vez maior, provavelmente fará a pergunta mais simples — e ao mesmo tempo mais incômoda, a cada novo nome apresentado: o que essa pessoa já fez que demonstre capacidade real de governar um estado inteiro? Porque entre querer governar e estar preparado para governar existe uma diferença considerável. E não raro, nas eleições, essa diferença aparece justamente quando se olha com calma para a trajetória de cada pretendente ao cargo. No fim das contas, o governo de Rondônia não é um estágio político, nem um laboratório de boas intenções. É uma responsabilidade gigantesca. E talvez esteja na hora de a disputa sair um pouco do terreno do discurso e entrar, de vez, no território do histórico e da competência. POR PAULO DE TARSO JORNALISTA E EDITOR
BOA INTENÇÃO, RISCO DE CENSURA: A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que pretende restringir a divulgação de imagens de vítimas de crimes e acidentes. A justificativa é nobre: preservar a dignidade humana e evitar que tragédias se transformem em espetáculo. No papel, parece uma medida sensata. Na prática, porém, a proposta levanta uma preocupação legítima: até onde vai a proteção da vítima e onde começa o risco de censura à informação? Quem trabalha diariamente com jornalismo, especialmente na cobertura policial, sabe que a realidade muitas vezes é dura. Violência, acidentes e tragédias fazem parte do cotidiano das cidades. Mostrar esses fatos nunca foi, ou não deveria ser, uma questão de sensacionalismo, mas de transparência. A sociedade tem o direito de saber o que acontece à sua volta. O problema de legislações desse tipo é a subjetividade. O texto fala em “interesse público relevante”, mas não deixa claro quem define esse limite. O que para um jornalista é informação, para outro pode ser considerado excesso. Quando essa decisão passa a envolver risco de processo ou até pena criminal, cria-se um ambiente de medo que pode levar à autocensura. É evidente que existem exageros na exposição de imagens chocantes, e isso precisa ser debatido com seriedade. O próprio jornalismo responsável já possui limites éticos que orientam essa cobertura. Mas transformar essa discussão em crime pode acabar punindo justamente quem trabalha para informar a sociedade. No fim, o desafio não é esconder a realidade, mas tratá-la com responsabilidade. Proteger a dignidade das vítimas é essencial. Mas proteger também o direito de informar é o que garante que a sociedade continue enxergando a realidade como ela é, e não apenas como alguns gostariam que fosse. PAULO DE TARSO - EDITOR E JORNALÍSTA