A informação que constrói sociedade

Mais previsões: Previsao do tempo 30 dias

SAÚDE NA UTI

SAÚDE NA UTI: Rondônia tem dinheiro para cuidar da saúde, mas continua esperando o cidadão piorar para, aí sim, correr atrás do prejuízo Em Rondônia, a saúde pública parece seguir uma receita que ninguém pediu: quanto mais o paciente sofre, maior fica a chance de conseguir atendimento. É quase uma loteria — só que o prêmio é uma consulta, uma cirurgia ou simplesmente conseguir ser atendido sem precisar chegar ao limite. O mais intrigante é que dinheiro para a saúde existe. O problema é entender por que, mesmo com tantos recursos destinados ao setor, o cidadão continua enfrentando filas, demora, falta de estrutura e uma espera que parece não ter fim. E aqui entra uma pergunta que incomoda: por que esperar a doença se agravar para depois gastar muito mais para resolver? Uma política séria de prevenção poderia identificar problemas ainda no começo, evitar complicações e, de quebra, reduzir custos para os cofres públicos. Mas, em Rondônia, muitas vezes parece que o sistema prefere apagar incêndio a evitar que a casa pegue fogo. A fila por cirurgias cresce e o silêncio também. Uma simples cirurgia de hérnia, por exemplo, pode virar uma novela de anos para quem não estiver em situação considerada grave. O cidadão espera, sente dor, limita sua rotina e torce para o problema não piorar. Parece que, para entrar na frente da fila, às vezes é preciso provar que está realmente mal. E tem mais: os próximos deputados estaduais terão de repensar seriamente suas prioridades na hora de indicar emendas parlamentares. Não se trata de acabar com festas, eventos ou manifestações culturais, que também têm sua importância. Mas, diante de uma saúde que pede socorro, talvez seja hora de colocar menos dinheiro em promoção de festas e mais recursos onde a população está literalmente precisando. Porque não adianta o município ter festa bonita, palco iluminado e som de primeira se, na hora em que o cidadão precisa de um atendimento médico, encontra uma fila que parece não ter fim. Enquanto isso, a impressão que fica é de que o tamanho do problema nem sempre aparece com a mesma força nos discursos oficiais. O caos existe, o paciente sente na pele, mas parece que ninguém quer olhar de frente para ele. O próximo governo de Rondônia terá uma missão que não poderá ser maquiada com discurso bonito: reorganizar de verdade a saúde pública estadual. E a conta começa por duas estruturas fundamentais: construir um novo Hospital João Paulo II, porque o atual já carrega décadas de problemas, e reestruturar o Hospital de Base, garantindo estrutura moderna, equipamentos, profissionais e capacidade para atender a demanda crescente. Mas não basta construir prédio. É preciso mudar a lógica. Investir em prevenção, ampliar consultas e exames, reduzir filas, acelerar cirurgias e resolver o problema quando ele ainda está no começo — quando custa menos e, principalmente, quando o sofrimento do paciente é menor. O próximo governo e os próximos deputados estaduais terão uma escolha bem clara: continuar administrando a emergência ou começar a prevenir o desastre. Porque saúde pública não deveria funcionar na lógica do “deixa piorar que depois a gente resolve”. Afinal, quando o problema chega ao extremo, quem paga a conta é o governo. Mas quem sente a dor é o cidadão.

 

Leia também