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PT busca aproximar Lula de evangélicos sem transformar igrejas em palanques

Lula sanciona lei que cria Dia Nacional da Música Gospel Crédito: Ricardo Stuckert

Partido foca em políticas sociais, música gospel e comitês populares para disputar o voto do segmento evangélico no país

O presidente Lula (PT) está disposto a disputar o voto do eleitorado evangélico para as eleições, mas determinou que a mobilização da campanha seja mantida estritamente distante dos púlpitos e das estruturas religiosas, segundo Jussara Soares, da CNN Brasil. A orientação explícita da direção petista e do próprio presidente é para que acenos e gestos direcionados a esse segmento — historicamente mais alinhado às pautas de direita — sejam conduzidos com respeito, sem tentar uma entrada forçada nos templos ou politizar os espaços de culto.

A estratégia ganha centralidade diante dos dados da pesquisa Quaest divulgada na sexta-feira (14). O levantamento retrata a divisão do eleitorado no primeiro turno: enquanto Lula lidera com folga entre os eleitores católicos, registrando 47% das intenções de voto contra 27% do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, os números se invertem entre os evangélicos, segmento em que o filho do ex-presidente aparece na frente com 43%, ante 24% atribuídos ao atual mandatário.

O coordenador nacional do Setorial Inter-religioso do PT e frequentador da Igreja Batista, Gutierres Barbosa, reforça que o objetivo é ampliar o canal de diálogo com a comunidade evangélica sem violar o espaço de fé. “O púlpito é sagrado. Vamos respeitar”, ressaltou o dirigente, indicando a demarcação ética do partido quanto à separação entre religião e militância partidária.

Para materializar essa aproximação em ambiente público, a cúpula da campanha estuda a participação de Lula em um ato gospel no Rio de Janeiro. A iniciativa é idealizada ao lado da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), candidata ao Senado Federal. Benedita é uma das figuras mais históricas da sigla, além de ser uma referência evangélica com mais de seis décadas de fé e membro da Igreja Presbiteriana Betânia. Embora o formato final do encontro ainda dependa de definições e gere debates internos entre os correligionários, a atividade no Rio integra um esforço mais amplo para conectar a militância e a mensagem petista ao segmento religioso fora dos edifícios eclesiais.

A arquitetura da campanha contempla a criação de comitês populares com foco específico no público evangélico espalhados por todo o território nacional. A missão desses núcleos será correlacionar os programas sociais e as ações do governo federal a valores de matriz cristã, a exemplo da justiça social, do combate às desigualdades e da proteção e fortalecimento das famílias.

Segundo Barbosa, a narrativa do partido sustentará que a verdadeira proteção à família depende de garantia de renda, educação, postos de trabalho, dignidade e combate efetivo à violência nas comunidades. Para isso, a legenda colocará no centro do debate programas governamentais e pautas de grande impacto popular, como:

  • Pé-de-Meia: incentivo financeiro focado na permanência de jovens no ensino médio;
  • Desenrola Brasil: programa de renegociação de dívidas para famílias endividadas;
  • Isenção do Imposto de Renda: ampliação da faixa de isenção para trabalhadores de menor renda;
  • Fim da escala 6×1: proposta de alteração na jornada de trabalho para garantir maior descanso familiar;
  • Ações e investimentos periféricos: projetos voltados à melhoria da infraestrutura e segurança nas periferias.

“Quem tem condição de falar de família somos nós. Quem cuida da família na integralidade somos nós”, afirmou o coordenador do Setorial Inter-religioso.

Paralelamente às pautas sociais, a estrutura partidária atuará diretamente no combate às notícias falsas e à desinformação que circulam no meio religioso. A intenção é desmentir conteúdos fraudulentos propagados contra o presidente Lula e destacar sistematicamente as ações governamentais voltadas para o amparo das periferias e a melhoria das condições de vida das famílias brasileiras.

A produção cultural e a música gospel desempenham papel estratégico no plano do PT. A escolha do jingle “Tapete Vermelho”, interpretado pela cantora evangélica Lina Luz, para embalar a publicação de estreia de Lula nas redes sociais no domingo (16), no início oficial da corrida eleitoral, demonstrou essa diretriz. A mesma composição foi entoada pela primeira-dama Janja da Silva e pelo cantor gospel Kleber Lucas durante o ato político realizado no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), local onde o presidente deu o pontapé inicial na busca por mais um mandato.

A aposta no gênero musical se fundamenta em seu alcance popular nas periferias urbanas e entre a classe trabalhadora. “A campanha não é só feita de ações. Tem que mexer com as pessoas. Hoje, a música evangélica é uma referência. Extrapolou a bolha e está nas periferias, é ouvida por motoristas de aplicativo, por trabalhadores e no transporte público. Não trazer a música gospel para a campanha seria um erro”, pontuou Barbosa.

O movimento dialoga ainda com atos institucionais promovidos por Lula ao longo de sua gestão. Em outubro de 2023, o chefe do Executivo sancionou a lei que oficializou o Dia Nacional da Música Gospel. Posteriormente, em dezembro de 2025, o presidente assinou o decreto que reconheceu formalmente a cultura gospel como manifestação integrante da cultura nacional, consolidando ações como pontes institucionais com o setor.

Brasil 247

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