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O Mistério dos 1.200 Entrevistados: Alguém em Rondônia Já Atendeu a essa Ligação?

O MISTÉRIO DOS 1.200 ENTREVISTADOS; ALGUÉM EM RONÔNIA JÁ ATENDEU A ESSA LIGAÇÃO? Dizem os manuais da estatística que basta ouvir uma amostra bem calculada de mil e poucas pessoas para traduzir com precisão cirúrgica a alma, a cabeça e a intenção de voto dos mais de 1,2 milhão de eleitores rondonienses. Uma matemática perfeita. Linda no papel, irretocável na teoria e devidamente chancelada com número de protocolo no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Há apenas um pequeníssimo detalhe nessa engrenagem impecável: você, seus parentes, seus vizinhos e todas as pessoas com quem você já conversou na vida nunca receberam a bendita ligação. É um fenômeno quase místico. O cidadão acorda em Porto Velho, toma o seu café, vai trabalhar em Ji-Paraná, passa o fim de semana em Cacoal, cruza Vilhena, troca ideia até no grupo da família no WhatsApp e nada. Ninguém jamais ouviu o toque do celular acompanhado de uma voz metálica perguntando: "Em quem você votaria para o governo?". Ainda assim, o milagre da estatística acontece. Periodicamente, o sistema da Justiça Eleitoral registra os levantamentos oficiais. As planilhas aparecem recheadas com margem de erro de três pontos percentuais, nível de confiança de 95% e gráficos coloridos que estampam portais de notícias no dia seguinte. Não se trata, veja bem, de duvidar dos métodos amparados por algoritmos e amostragem probabilística. Os institutos cumprem as exigências legais e depositam os dados nas instâncias competentes. Mas para quem vive o cotidiano rondoniense, a sensação é de que esses 1.200 entrevistados fazem parte de um seleto clube secreto. Uma espécie de "Sociedade dos Eleitores Invisíveis" que habita uma dimensão paralela, onde os telefones tocam no momento exato e ninguém desliga na cara da robô de telemarketing. Enquanto a maioria dos mortais passa o ano inteiro fugindo de ligações de cobrança, de golpes do Pix ou de ofertas de plano de internet, essa seleta amostragem consegue ser localizada para responder pesquisas de intenção de voto com a calma de um monge. Até que o dia da votação chegue e as urnas mostrem o resultado definitivo, o mistério permanece flutuando no ar quente de Rondônia: afinal, quem são, onde vivem e o que comem os privilegiados eleitores que alimentam as estatísticas? Se você for um deles, por favor, avise no grupo — a população inteira só quer tirar essa dúvida.

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