SERVIDOR PÚBLICO NÃO É VAGABUNDO: É impressionante como algumas pessoas gostam de generalizar quando o assunto é servidor público. Basta encontrar um funcionário que não corresponde às expectativas para aparecer alguém disposto a colocar todos no mesmo pacote e disparar: “Servidor público é vagabundo!”. É uma afirmação injusta, desrespeitosa e, acima de tudo, demonstra desconhecimento sobre o funcionamento da sociedade.
Em Rondônia, como em qualquer lugar do Brasil, existem servidores comprometidos e também aqueles que parecem ter transformado o expediente em uma contagem regressiva para a aposentadoria. Sim, eles existem! Há quem faça do relógio o seu principal instrumento de trabalho e tenha mais intimidade com o cafezinho do que com as próprias atribuições. Mas daí a colocar milhares de trabalhadores honestos na mesma categoria existe uma distância enorme.
A grande maioria dos servidores públicos é formada por homens e mulheres que acordam cedo, enfrentam dificuldades, cumprem suas jornadas e fazem a máquina pública funcionar. Muitos trabalham sob pressão, lidam diariamente com problemas da população e ainda precisam ouvir reclamações por falhas que, muitas vezes, não dependem deles.
É o professor que enfrenta salas lotadas e, mesmo com estrutura limitada, continua ensinando. É o médico e o profissional de enfermagem que atendem pacientes em condições nem sempre adequadas. É o zelador que mantém escolas e repartições funcionando. É o motorista que transporta pacientes, o gari que mantém as cidades limpas, o policial que arrisca a própria vida, o servidor administrativo que enfrenta pilhas de processos e aquele funcionário que, mesmo sem aparecer nas fotografias das inaugurações, está lá todos os dias fazendo o serviço acontecer.
E tem mais: muitos desses profissionais continuam trabalhando com salários defasados, estrutura precária, cobranças constantes e reconhecimento quase inexistente. Na hora de exigir resultados, o servidor é lembrado. Na hora de discutir valorização, melhores condições de trabalho e reajustes dignos, muitas vezes a conversa muda de assunto.
É preciso separar as coisas. Quem não trabalha, descumpre suas obrigações ou utiliza o cargo público para benefício próprio deve ser cobrado, fiscalizado e responsabilizado. Serviço público não é abrigo para acomodação, muito menos autorização para receber sem trabalhar. Mas cobrar responsabilidade não significa desrespeitar uma categoria inteira.
Aliás, vale uma pergunta aos críticos de plantão: quem atende a população quando alguém precisa de uma consulta? Quem ensina nossos filhos? Quem mantém as escolas abertas, limpa as ruas, fiscaliza, organiza documentos, atende nos hospitais e executa os serviços que chegam diariamente às repartições públicas?
A resposta é simples: o servidor público!
Sem esses profissionais, a administração pública seria apenas um prédio cheio de placas, gabinetes, discursos e promessas. Governantes passam, secretários mudam, políticos disputam eleições, mas é o servidor que, muitas vezes, permanece garantindo a continuidade dos serviços.
E aqui vai uma observação: antes de chamar servidor público de vagabundo, experimente conhecer a rotina de quem está na linha de frente. É muito fácil criticar sentado em uma cadeira, principalmente quando não se conhece a realidade de quem enfrenta o balcão, o hospital, a sala de aula, a estrada e os corredores das repartições.
O problema não é o servidor público. O problema é a falta de compromisso de quem não trabalha, a má gestão de quem não administra e a desvalorização de quem realmente faz o serviço acontecer.
Servidor público não precisa de bajulação, precisa de respeito, condições dignas de trabalho e reconhecimento. E quem não cumpre suas obrigações deve responder por isso, sem que os milhares de bons profissionais paguem pela irresponsabilidade de alguns.
Porque, se todos os servidores públicos fossem realmente aquilo que alguns dizem, a máquina pública já teria parado há muito tempo. E quem mais sentiria as consequências seria justamente o cidadão que hoje aponta o dedo. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA