ANO ELEITORAL; MILAGRE ATÉ EM PROMESSA: Em ano eleitoral, meu amigo, até o impossível vira política pública — pelo menos no discurso. É como se, de repente, o Brasil descobrisse que tem dinheiro, solução e boa vontade pra tudo. O que faltava ontem, hoje aparece com pressa, embrulhado em anúncio, bônus e coletiva.
Não é novidade. É roteiro repetido. A eleição vai chegando e o poder vira um balcão de boas intenções: crédito facilitado, benefício ampliado, tarifa segurada, promessa espalhada feito santinho em dia de votação. Tudo urgente. Tudo necessário. Tudo “pro povo”.
Mas curiosamente, esse zelo todo com a população tem prazo de validade. Passa outubro, some a pressa, volta o discurso da responsabilidade, do ajuste, do “não dá pra fazer agora”. A conta? Ah, essa nunca desaparece — só muda de endereço e, no fim, cai no colo de sempre.
No Congresso, a conversa também muda de tom. Projetos que antes dormiam em gaveta ganham prioridade. Afinal, ninguém quer sair na foto como quem travou benefício em ano de urna aberta.
No fim das contas, não é sobre se pode ou não pode gastar. É sobre quando convém. E, convenhamos, em ano eleitoral, convém tudo. POR PAULO DE TARSO - JORNALÍSTA