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Após 10 anos de espera, Flávia Saraiva conquista o bronze na trave no Mundial de Ginástica em Roterdã

Flávia Saraiva beija medalha de bronze. (Foto: Confederação Brasileira de Ginástica via X)

Brasileira crava série de alta dificuldade, soma 14,300 pontos e garante seu primeiro pódio mundial no aparelho

O Brasil fechou sua participação no Campeonato Mundial de Ginástica Artística de 2026 com uma celebração histórica na manhã deste domingo (25/10), em Roterdã, na Holanda. A ginasta Flávia Saraiva conquistou a medalha de bronze na final da trave de equilíbrio, encerrando um jejum pessoal de uma década em busca do sonhado pódio no seu aparelho de maior especialidade.

Com uma apresentação segura e de enorme valor técnico, a atleta de 27 anos somou 14,300 pontos, garantindo a segunda medalha da delegação brasileira na competição.

A disputa pelo topo do pódio no complexo holandês foi definida nos detalhes mais rigorosos da arbitragem internacional. A argelina Kaylia Nemour sagrou-se campeã mundial ao empatar com a chinesa Zhang Qingying em 14,566 pontos, assegurando o ouro graças ao critério de desempate por ter obtido uma nota de execução superior (8,266 contra 8,066). A francesa Elena Colas terminou na quarta colocação com 14,100, enquanto a italiana Manila Esposito completou o grupo das cinco primeiras colocadas com 14,066 pontos.

Série cravada e o fim do quase: ‘Sensação de alívio’

Flavinha foi a sétima e penúltima ginasta a subir no tablado para a final decisiva. A brasileira executou com precisão a cortada anel e dois layouts na sequência acrobática, tendo apenas uma leve oscilação em um mortal lateral antes de cravar a saída em duplo carpado com apenas um passo. A nota final de 14,300 foi composta por 6,100 de dificuldade e 8,200 de execução técnica, sustentando a terceira colocação obtida desde as eliminatórias.

Após o encerramento da prova e a confirmação do pódio, a atleta desabafou sobre o peso emocional de alcançar a primeira medalha na trave em grandes campeonatos adultos.

“Na final não tem estratégia, era fazer o maior nível de dificuldade possível, porque a gente já viu que na classificatória já tinham sido notas muito altas para poder entrar. Acho que foi uma das finais de trave mais difíceis para poder entrar nos últimos tempos. Já sabia que a final ia ser difícil e que tinha que fazer todas as minhas dificuldades para poder brigar. Sei que dava para ser um pouquinho melhor se não tivesse aquele desequilíbrio no mortal lateral, mas a gente entende que faz parte, é o nervosismo na barriga. Fico muito feliz com essa medalha, finalmente consegui depois de dez anos tentando. Me dá um alívio, mas agora eu quero mais“, declarou a medalhista mundial.

A ginasta também fez questão de relembrar o início de sua trajetória internacional ao dimensionar a importância do resultado na Holanda.

“Representa uma menina de 16 anos na sua primeira final, muito orgulhosa de ter treinado dez anos e ter conquistado a sua primeira medalha na trave em campeonato mundial. Me sinto muito feliz, muito orgulhosa, foi um trabalho muito bem feito e estratégias muito bem usadas para colocar o máximo de dificuldade para que pudesse vir o resultado. É uma honra poder representar o meu país“, completou.

Redenção individual e o histórico vitorioso em Mundiais

O bronze em Roterdã representa uma redenção para a brasileira após bater na trave em edições recentes. Flavinha havia amargado a quarta colocação no Mundial de 2025 em Jacarta, além de quintos lugares expressivos na Rio-2016 e em Tóquio-2020. Na atual edição, ela já havia enfrentado uma queda na trave durante a decisão do individual geral, terminando na 12ª posição da classificação.

Com a nova conquista, Flávia Saraiva soma agora três medalhas na história dos Campeonatos Mundiais da modalidade. Em 2023, na Antuérpia, a atleta fez parte da equipe nacional que conquistou a histórica prata coletiva e também faturou o bronze individual no solo. O técnico da seleção feminina, Francisco Porath, celebrou o resultado ressaltando que a atleta arriscou o nível máximo de exigência técnica para assegurar a pontuação necessária no pódio.

Brasil fecha participação com duas medalhas em Roterdã

A subida de Flávia Saraiva ao pódio sacramentou o encerramento da delegação brasileira no torneio europeu. O país encerrou o Mundial de 2026 com duas medalhas conquistadas em cinco finais disputadas. No sábado (24/10), Rebeca Andrade já havia encantado o ginásio ao conquistar o ouro e o tricampeonato mundial no salto sobre a mesa, após retornar de seu período sabático de dois anos.

Na disputa coletiva, o time feminino do Brasil terminou na quinta colocação geral, atrás de potências como China, Estados Unidos e Japão. O resultado consolidou a marca histórica de 27 medalhas para a ginástica artística brasileira em Campeonatos Mundiais, mantendo a equipe em evolução para o Mundial de 2027, classificatório para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

TMC

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