Trabalhador rural de MG teve contato com roedores silvestres e contraiu infecção em fevereiro; morte não tem relação com surto em navio
Um trabalhador rural de 46 anos morreu em fevereiro após contrair hantavirose em Carmo do Paranaíba, no interior de Minas Gerais. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou neste domingo (10/05) a infecção como a primeira morte pela doença no estado, e consequentemente no Brasil, no ano de 2026.
Segundo a SES-MG, a vítima teve exposição a roedores silvestres durante atividades em área de lavoura e trata-se de um caso isolado, sem relação com outros registros da doença no estado. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) confirmou o diagnóstico laboratorial no mesmo mês do óbito.
Estado lidera casos no Sudeste
Minas Gerais já registrou 2 casos de hantavirose em 2026, liderando os números da região Sudeste. No ano anterior, o estado contabilizou 6 confirmações da doença.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil soma 7 casos da infecção até abril deste ano. Em 2025, foram 35 registros em todo o país, com 15 mortes.
A SES-MG classificou a morte recente como “um caso isolado, sem relação com outros registros da doença no estado”. Entre 2024 e 2025, Minas Gerais contabilizou 4 óbitos pela infecção.
Na sexta-feira (08/05), o Paraná já havia confirmado 2 casos de hantavírus e a investigação de outros 11. O Ministério da Saúde, no entanto, descartou relação entre casos de hantavírus no Brasil e o surto em cruzeiro.
Como ocorre a transmissão
A hantavirose é transmitida quando uma pessoa inala partículas microscópicas presentes em dejetos e secreções de roedores infectados. A forma mais comum da doença no Brasil é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que afeta pulmões e coração.
A infecção não possui tratamento específico. O manejo clínico foca em suporte hospitalar para controlar os sintomas respiratórios e cardiovasculares.
Surto em cruzeiro acende alerta internacional
Recentemente, um surto da doença atingiu passageiros do navio MV Hondius durante viagem pela América do Sul. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou 6 casos da variante Andes do vírus, além de 2 suspeitas ainda em investigação.
O surto resultou em 3 mortes. Após o desembarque nas Ilhas Canárias, na Espanha, as autoridades sanitárias monitoraram os passageiros expostos.
Apesar da gravidade do episódio, a OMS avaliou que o risco de disseminação em massa permanece baixo, já que a transmissão entre humanos é rara.
Para evitar a infecção, especialistas recomendam armazenar alimentos em recipientes fechados e manter ambientes limpos. Ao limpar locais com presença de roedores, use água e sabão — nunca varra a seco, pois isso espalha partículas contaminadas pelo ar.
Trabalhadores rurais e moradores de áreas próximas a matas devem redobrar a atenção, especialmente em locais com sinais de infestação de ratos silvestres.
TMC


