Proposta inclui emenda constitucional para proibir reeleição; Flávio diz querer entrar para a história como presidente de transição
A campanha de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto fez uma proposta política a Tarcísio de Freitas: caso vencesse em outubro, Flávio cumpriria apenas um mandato e defenderia o fim da reeleição presidencial.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a campanha de Flávio, seria o garantidor do acordo. Nas conversas relatadas, ele teria assumido o compromisso de apresentar uma proposta de emenda constitucional logo após o pleito. A concretização da medida estaria condicionada, ainda, à vitória de Marinho na disputa pela presidência do Senado. Esses dois elementos foram descritos como cenários hipotéticos, e não como compromissos já firmados.
“O único pacto que existe é com o Brasil. Acabar com a reeleição é tomar decisões pensando nas próximas gerações e não nas próximas eleições”, afirmou Marinho.
A lógica do pacto é direta: a campanha de Flávio precisa do engajamento de Tarcísio para competir em outubro, mas esse apoio é visto como incerto. O governador de São Paulo, filiado ao Republicanos, é uma das figuras com maior capital eleitoral na direita brasileira. Sem ele, e sem Michelle Bolsonaro, também apontada como peça essencial, a campanha teria dificuldade de mobilizar o eleitorado bolsonarista.
O que está em jogo
O fim da reeleição é uma mudança constitucional relevante. Hoje, o presidente pode disputar um segundo mandato consecutivo. Acabar com essa possibilidade exigiria aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o que demanda maioria qualificada no Congresso, ou seja, três quintos dos votos em duas votações em cada Casa.
Para o eleitor, a proposta significa que, se o pacto for cumprido, o próximo presidente eleito por esse acordo não poderia tentar a reeleição. O mandato seria, por definição, de passagem, daí o termo “presidente de transição” usado pelo próprio Flávio.
A oferta serve também como sinal político a Tarcísio: ao abrir mão da reeleição, Flávio deixaria o caminho livre para que o governador dispute a Presidência em 2030 sem enfrentar um incumbente do mesmo campo.


