RONDÔNIA RURAL SHOW OU SHOW ELEITORAL? Se alguém chegasse de paraquedas na Rondônia Rural Show sem saber do que se trata, poderia facilmente concluir que o evento foi criado para reunir pré-candidatos em seu habitat natural.
Tratores, implementos agrícolas, tecnologias para o campo e animais de genética apurada até estavam por lá, mas precisavam disputar espaço com uma espécie ainda mais abundante: os políticos em busca de visibilidade. Era deputado abraçando produtor, senador cumprimentando expositor, pré-candidato gravando vídeo, líder político distribuindo sorrisos e assessor correndo atrás com celular na mão. Em alguns momentos, parecia que o eleitor havia se transformado em uma raridade da feira.
Onde aparecia um, logo surgia uma fila de interessados em apertar sua mão. A corrida pela popularidade chegou a níveis curiosos. Havia quem atravessasse corredores inteiros apenas para garantir uma foto estratégica. Outros pareciam cumprir uma maratona eleitoral não oficial, acumulando selfies, acenos e discursos improvisados em velocidade digna de competição olímpica. O mais interessante é que ninguém estava fazendo campanha. Pelo menos oficialmente.
Era apenas uma impressionante coincidência ver tantos nomes que sonham com as urnas concentrados no mesmo lugar, falando com o mesmo público e registrando cada passo nas redes sociais. Tudo dentro da mais absoluta normalidade institucional, claro.
Enquanto o agronegócio fechava negócios milionários e discutia o futuro da produção rural, boa parte da classe política parecia preocupada com outra colheita: a dos votos que poderão amadurecer em 2026. No fim das contas, a Rondônia Rural Show continua sendo uma vitrine do agronegócio rondoniense.
Mas ficou difícil ignorar que, entre uma máquina agrícola e outra, muitos já estavam medindo não a produtividade da terra, mas a fertilidade eleitoral do terreno. POR PAULO DE TARSO - JORNALÍSTA