O VOTO NÃO É DECIDIDO NO GOGÓ: De tempos em tempos, a política entra naquele velho teatro do “já ganhou”. Basta aparecer uma pesquisa positiva, um evento cheio, um vídeo com multidão ou um grupo fazendo muito barulho nas redes sociais para surgir a falsa sensação de eleição resolvida.
Não está.
A experiência mostra justamente o contrário. Quanto mais cedo um candidato acredita na própria invencibilidade, maior costuma ser o distanciamento da realidade. A política tem um detalhe que muitos esquecem: o eleitor observa em silêncio.
Em Rondônia, principalmente no interior, o cidadão pode até participar da carreata, aceitar santinho, tirar foto e ouvir discurso bonito. Mas o voto verdadeiro só aparece dentro da cabine. E ali não existe marqueteiro, foguete, pressão de grupo político ou pesquisa que obrigue alguém a apertar um número.
Existe apenas consciência.
O problema é que parte da classe política continua confundindo movimentação com aceitação popular. Campanha barulhenta impressiona assessor, aliado e militância. Mas quem paga conta, enfrenta hospital lotado, estrada ruim, abandono nos bairros e promessa esquecida quer mais do que espetáculo eleitoral.
Quer resultado.
O eleitor amadureceu muito nos últimos anos. Está mais desconfiado, mais crítico e menos disposto a cair em narrativas prontas. Já viu muita gente posar de favorita e desaparecer depois da abertura das urnas. Também já viu candidatos desacreditados crescerem justamente pela simplicidade, pela presença e pela credibilidade construída no dia a dia. POR PAULO DE TARSO