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VORCARO CAIU. E AGORA TODO MUNDO É SANTO?

VORCARO CAIU. E AGORA TODO MUNDO É SANTO? O caso Daniel Vorcaro e do Banco Master expõe uma questão que ultrapassa as suspeitas investigadas: o alcance da rede de relações construída pelo banqueiro ao longo de sua trajetória. Seu nome aparece associado a contatos com políticos, empresários, autoridades e diferentes setores da sociedade, enquanto as investigações procuram esclarecer a natureza e a dimensão desses vínculos. As apurações e informações divulgadas sobre o caso também colocaram no radar relações com instituições, entidades, círculos jurídicos, governos e até segmentos religiosos. Isso não significa, por si só, irregularidade. Mas torna inevitável uma pergunta: como se formou uma rede de relacionamento tão ampla em torno de um empresário do sistema financeiro? O fenômeno merece ser observado com seriedade. Relações entre poder econômico e poder político fazem parte da dinâmica de qualquer democracia. O limite está na transparência. Quando contatos, negócios, favores ou interesses passam a levantar dúvidas sobre influência indevida ou conflito de interesses, cabe às instituições investigar e à sociedade cobrar respostas. É justamente nesse ponto que a queda de Vorcaro chama atenção. Enquanto seu banco crescia e seu trânsito institucional aumentava, a proximidade com diferentes setores parecia fazer parte da rotina. Com o avanço das investigações, esses mesmos relacionamentos passaram a ser examinados com outra perspectiva. A pergunta, portanto, não é apenas por que Vorcaro caiu. É também como ele conseguiu estabelecer tantas conexões, quem abriu essas portas, quais interesses aproximaram os envolvidos e até onde essa rede efetivamente alcançava. O caso Master precisa ser tratado sem torcida, sem condenações antecipadas e sem a conveniente amnésia que costuma aparecer quando o poder muda de mãos. Se as investigações comprovarem irregularidades, será preciso responsabilizar quem tiver de ser responsabilizado. Mas, se a rede de relações se mostrar tão extensa quanto vem sendo revelada, também será necessário perguntar por que tantas portas estavam abertas. Porque o problema não é um empresário conversar com o poder. O problema começa quando ninguém consegue explicar por que o poder estava tão disposto a ouvi-lo. POR PAULO DE TARSO - JORNALISTA/EDITOR

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